A publicação do balanço do quadrimestre é um dado aguardado pela classe política. Ele vai mostrar a real situação financeira do Estado e determinar a afinação ou não do discurso de Paulo Hartung (PMDB) com a classe política. O governador terá de provar a real necessidade de medidas antipáticas à população para a saúde dos cofres do Estado.
Neste contexto, ao final de cem dias, o governo do Estado e a classe política terão ideia de como será o relacionamento pelo restante do mandato. Na Assembleia, por exemplo, o período é de expectativa.
Embora alguns deputados ainda tentem blindar a imagem do governador em relação ao desgaste trazido por alguns cortes, os parlamentares não estão dispostos a pagar o preço do desgaste político causado pelas chamadas medidas de austeridade.
Isso porque, boa parte dos deputados estaduais e federais vai disputar a eleição do próximo ano, e quem não disputar vai apoiar prefeitos ou adversários dos gestores nos municípios. Por isso, não podem acumular desgastes políticos.
O corte de 20% nos gastos das secretarias está chegando a pontos delicados e trazendo repercussão negativa. Se com a publicação do balanço do quadrimestre os deputados perceberem que a situação não é tão grave como pregou o governador, a situação pode não ficar tão harmoniosa entre os deputados e o governador.
A preocupação da classe política é de que o governo possa estar passando do ponto em questões de repercussão política. Como por exemplo, a discussão do pó preto. O governador adotou um discurso que gerou repercussão e agora tem dificuldade de adequar o cenário evitando confronto com as empresas que financiaram o governador e os deputados.
Na verdade, o governo não foi ainda experimentado na Assembleia. Se os deputados entenderem que projetos enviados pelo governador oferecerem risco de repercussão negativa para os deputados, que são os mais cobrados pelos eleitores, o Palácio Anchieta pode ter problemas.

