O deputado Sérgio Majeski (PSDB) divulgou na noite dessa terça-feira (26) uma nota para explicar os motivos que o levaram a não aceitar o convite dos caciques tucanos para entrar na disputa eleitoral à prefeitura de Vitória. Para os meios políticos, a posição de Majeski, mais uma vez, mostra a coerência política que tem pautado o mandato do deputado na Assembleia, o que fez com que as lideranças do partido reconhecessem a qualificação do quadro que tem no partido. Com sua decisão de não entrar na disputa, a avaliação do mercado político é de que o deputado ganha fortalecimento com o eleitorado e com a classe política.
O nome de Majeski passou a ser cogitado desde que Luiz Paulo Vellozo Lucas anúnciou sua saída da disputa. O partido, sem nenhuma carta na manga, passou a buscar alternativas para a eleição, entre elas, o nome do deputado estadual surgiu com força entre os segmentos do partido, sendo imediatamente referendado por parte da população e pelas próprias lideranças do PSDB.
Entre as lideranças do partido que carimbaram o nome de Majeski para a disputa destaques para o próprio Luiz Paulo, o senador Ricardo Ferraço e o vice-governador César Colnago. Na base do partido, a alternativa Majeski dividiu opiniões.
Por meio de nota, Majeski agradeceu a consideração ao seu nome pelo partido e disse que a recebeu como reconhecimento do trabalho realizado nestes 18 meses de mandato na Assembleia Legislativa.
Neste período, o deputado vem realizando um trabalho diferenciado dos colegas de Plenário, o que aumento consideravelmente seu capital político. “Se eu fosse um político carreirista e afinado com as velhas práticas políticas, não hesitaria”, diz o deputado.
Ele destaca a importância política da disputa, que para qualquer liderança política, ganhando ou perdendo, oferece grande visibilidade. “E não são poucos os que se candidatam apenas com essa visão: a de 'jogar' o seu nome na praça, tornando-se conhecido para próximas eleições, mesmo sem ter nada de novo ou propósitos reais para a cidade”, alfineta.
O deputado, porém, afirma que sempre se posicionou contrário à prática de abandono do mandato em curso para outras disputas. “Se assim o fizesse, passaria a ideia de traição para os eleitores, que me elegeram para ser deputado e não candidato a outro cargo, ou assumir secretárias e afins”. Embora reconheça como atípico o contexto em que seu nome fora lembrado, já que o candidato natural do partido desistiu inesperadamente em cima da hora.
O deputado destaca ainda que a candidatura a prefeito nunca esteve em seus planos e entende que deve continuar focado no trabalho parlamentar, sobretudo no que diz respeitos às matérias relativas à educação, em que o tucano tem se destacado, denunciando a situação das escolas estaduais e criticando os projetos midiáticos que vem sendo apresentados pelo governo, como o “Escola Viva”.
O pouco tempo para a construção de um projeto para a disputa conjunto com a sociedade também foi considerado pelo deputado, já que o fim do prazo para as coligações termina no próximo dia 5 e a eleição começa no fim do próximo mês.
Chama atenção na nota a visão do jogo político que o deputado mostrou ter ao apontar os interesses incutidos na eleição, e que não guardam relação com a disputa à prefeitura em si. “A disputa em Vitória, considerando os atores direta e indiretamente envolvidos, deverá ser altamente desgastante e de nível duvidoso”, prevê o deputado, emitindo opnião semelhante à de Luiz Paulo na ocasião da sua saída da disputa.
A eleição em Vitória, pelo menos é essa a expectativa, reserva uma disputa especial entre o governador Paulo Hartung (PMDB) e o ex-governador Renato Casagrande (PSB), que apostam suas fichas nos candidatos para estabelecer uma disputa paralela voltada para o processo de 2018. Os interesses por trás dos palanques, na visão de Majeski, vão comprometer o nível da eleição. “Pelo andar da carruagem, as “forças ocultas” atuarão sem escrúpulos”.
Majeski também não poupa críticas ao comportamento do partido no processo eleitoral e na conturbada relação que ele tem com alguns segmentos tucanos por sua postura na Assembleia. “O nosso mandato tem demonstrado que o meu discurso anda lado a lado com as minhas práticas. Provavelmente, enfrentaria problemas com segmentos do meu próprio partido, que ainda estão presos à velha política, a política do conchavo, do fisiologismo, do personalismo, em que o discurso vai para um lado e a prática para o outro”.

