A disputa pelo governo do Estado promete ser bastante acirrada e os dois principais candidatos ao cargo confirmam isso. Mas apesar da promessa de disputa no campo das ideias, a sensação do mercado político é que a polarização entre o governador Renato Casagrande e o seu antecessor Paulo Hartung (PMDB) leve os debates para um campo além da comparação das gestões.
Essa impressão ficou bem clara no sábado (5), quando os candidatos se encontraram nas escadarias do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Em vez do tradicional aperto de mãos e o desejo de boa sorte, os candidatos, que já foram aliados no passado, sequer se olharam.
Ambos chegaram ao local propondo um debate no campo das ideias. Hartung, com projeto em mãos, afirmou que apresentará uma campanha propositiva e que espera um bom debate sem atitudes “rancorosas”. Casagrande também seguiu a mesma linha, afirmando que expectativa é de um debate de comparação entre os governos.
Mas não será assim. A tendência é de uma eleição dura, com muita troca de acusações entre os candidatos. O próprio cenário polarizado favorece esse clima entre os dois. Os demais nomes colocados para a disputa terão muito dificuldade em interferir no foco entre Casagrande e Hartung, o acirrará ainda mais a disputa.
Para os meios políticos, a tendência é de que a situação seja mais delicada para Paulo Hartung do que para Renato Casagrande, devido ao tempo em que o peemedebista esteve à frente do governo do Estado ter sido maior do que o de Renato Casagrande. Embora Hartung bata na tecla do aumento dos gastos na gestão atual, o fato de não ter criado vagas no serviço público deverá ser explorado pelos adversários na campanha.
A expectativa também é que uma disputa de bastidores se apresente de forma mais firme no processo eleitoral. O uso de informação e contra-informação na internet, por exemplo, é um processo que já vem sendo acionado pelos dois lados e deve se acirrar com o decorrer da campanha.
O palanque do PT não vai para o confronto com o palanque de Hartung, e como também participou do governo Casagrande, terá dificuldade em emplacar uma postura crítica. A oposição deve ficar por conta de Camila Valadão (Psol), mas o pouco tempo de TV – 25 segundos – e a pouca estrutura da campanha contra os palanques milionários dos adversários vão dificultar a proposta.

