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Papo de RepórterSerá que ao chamar para a disputa, Casagrande vai passar PH a limpo?

Rogério Medeiros e Renata Oliveira
 
O governador Renato Casagrande quer fazer uma campanha de comparação com o governo anterior. Hartung quer falar em projetos. Mas ninguém que ir para o embate direto. Papo de Repórter discute a necessidade de se colocar os pingos nos is.
 
 
Renata – Rogério, a campanha eleitoral em sua primeira semana foi morna diante daquele período das convenções, com os dois candidatos trocando acusações. Esta semana foi mais de organizar a agenda, conversar com os aliados e se preparar para a batalha. Na vinda do Aécio Neves, Hartung preferiu um discurso mais abstrato, menos provocativo ao governador Renato Casagrande. O e-governador estava mais preocupado em pegar carona no Aécio. Até onde vai esse embate entre os dois?
 
Rogério – Primeiro, tem de fazer uma correção: esclarecer esta história que Hartung está usando de que o governo Dilma e o bicho-papão do Estado e o perído do governo Fernando Henrique Cardoso foi maravilhoso para o Espírito Santo. É só pegar os números, por exemplo, da Caixa Econômica, para atestarmos as diferenças entre PT e PSDB no que tange aos investimentos no sistema habitacional. Esse discurso de discriminação com o Espírito Santo vem sendo pregado no Estado nos últimos anos e não convence em nível nacional. 
 
Renata – Isso não significa que Dilma fez um bom governo para o Espírito Santo, ao contrário, acho que ela maltratou o Estado. Mas em coparação ao Era FHC ela e Lula se saram melhor em relação aos investiemntos feitos no Estado. Paulo, porém, adota um discurso cínico que chega a doer. Agora, Aécio vai ter melhor resposta do apoio do Paulo, porque é ele que está embarcando no Aécio e o eleitorado capixaba é conservador. Paulo não está levando voto para Aécio, está recendo voto com ele. 
 
Rogério – Se ele tivesse de dar votos para Aécio,o tucano estava frito. A sorte de Aécio é que os votos deles já estão garantidos por inércia aqui no Estado. Porque se dependesse de Hartung, ele faria o mesmo que fez com Dilma quando era governador. Desceu as escadarias do Palácio Anchieta, tirou foto com Dilma dizendo que ia apoiá-la e ela tomou de carroçada no Estado. Lula foi a mesma história.
 
Renata – Em 2006, quando Lula foi para o segundo turno, ele ficou encarregado de fazer o café-da-manhã com os governadores peemedebistas e deixou Lula na mão. Até então, ele tinha se beneficiado, mas como havia risco e tudo apontava para a derrota de Lula, ele pulou fora. E quando Dilma se elegeu, perdendo no Estado, ele, que como você disse, havia tirado foto com ela no Palácio, disse que isso era um recado do povo do Espírito Santo; mais, que ela e deveria calçar as sandálias da humildade. E ela ficou sabendo disso…
 
Rogério – Acho que essas eleições têm de servir para passar o governo Paulo Hartung a limpo. Ele é a maior fraude política da história deste Estado. Paulo manda acusar todo mundo de corrupção, mas está há 12 anos se blindado. A imprensa está do lado dele, a Justiça está do lado dele e tem de ficar, porque ele encheu o judiciário de dinheiro. Ficou com esse discurso de crime organizado, sem nominar ninguém para colocar essa ideia na cabeça da população e se blindar. Por isso o silêncio da Justiça, Ministério Público e Tribunal de Contas entorno dos escândalos do Posto Fiscal, da compra e venda de terrenos em Presidente Kennedy, do apartamento subvalorizado em Vila Velha, isenções de impostos ao Sincades, e muito mais. Está na hora de passar Paulo Hartung a limpo. Essas denúncias precisam ser esclarececidas.
 
Renata – Bom, quando o Casagrande coloca que seu próprio governo deve ser passado a limpo, ele está justamente chamando o adversário para esse debate…

 

Rogério – Aí aparece o povo de Paulo Hartung. A Gazeta, por exemplo, defende que não pode ter ataque, porque o grupo mamou muito no governo Paulo Hartung, que salvou a empresa que estava quebrando. Aparece os caras da Transparência Capixaba que protege o Paulo, pedindo um debate sem ataques. Ele tem medo de ser passado a limpo. Muita gente morre de medo do Paulo, com os instrumentos que ele tem e por aí vai. 
 
Renata – Mas será que Renato Casagrande terá coragem de fazer esse debate? Por que uma coisa é querer comparar números entre as gestões. Casagrande vai dizer que criou cargos, fez obras, isso e aquilo, mas colocar o dedo na ferida é outra coisa. Nos últimos quatro anos, Casagrande não cortou o cordão umbilical com seu antecessor. Foi só agora, que ele entendeu que Hartung não queria manter o acordo de 2010. Quando sentou para conversar e pediu 13 secretarias e a vice para não disputar com ele, acho que deve ter caído a ficha. Mas o governador não esconde que está contrariado com a disputa. E o pior, o Casagrande foi na onda de um debate raso que o Hartung propôs, dizendo que Casagrande não cumpriu com a continuidade. Não é por aí…

 

Rogério – Renata, o Casagrande está no governo em uma disputa contra o Paulo e o serpentário do Hartung está no governo dele. Situações como a presidência da Cesan está nas mãos de um hartunguete, que foi até laranja dele, estou mereferindo ao Paulo Ruy Carnielli, que ocupa o cargo e é de absoluta confiança do Paulo. Está rodeado de empreiteiros. 
 
Renata – E o Casagrande nessa história, como fica?
 
Rogério – A origem do governo Casagrande é a unanimidade. Não estamos falando que ele é o anti-Paulo, até poucos dias atrás ele defendia a candidatura a unanimidade, que consistia em ele reeleito e Paulo senador. Estão sambando sozinhos, porque o Magno Malta, que fala grosso, na hora H, correu do pau. Inventou uma história de presidente da República e deixou a unanimidade correr solta. Fez todo aquele histórico de que era contra as elites capixabas, e na hora que precisava mostrar a cara, deixou o processo na mão das elites, que ele tanto disse que combateu. Deixou as elites com seus dois candidatos, que dividiu o controle do poder. Independentemente de quem ganhar, Paulo ou Renato, teremos mais quatro anos de vida mansa para as elites capixabas, que seguirão mamando no poder. Tem só a moça do PSol…
 
Renata – Camila Valadão…

 

Rogério – Mas ela não tem densidade eleitoral para se meter nessa briga. Acho que o momento é esse, tem a imprensa, temos todos nós que formamos a opinião pública, têm entidades de trabalhadores que conhecem essa história. Está na hora de abrir. Têm pessoas que foram destruídas por Paulo Hartung que precisam falar. Tem de falar que ele mora em uma cobertura de 1.400 metros quadrados em Itapuã, diz que foi uma merreca e todo mundo engole isso. Casagrande, desde que assumiu o governo está sendo passado a limpo. Hartung ninguém tasca. Está há 12 anos com essa história de crime organizado e ninguém discute isso. 
 
Renata – É uma discussão que precisa ser colocada na campanha eleitoral, sim. Não se trata de baixar o nível, trata-se de discutir uma realidade que nunca foi questionada. Não se pode admitir que em um processo democrático, a opinião pública se proíba de discutir uma situação que está aí, todo mundo sabe, mas não pode escrever, isso é triste e injusto com a sociedade. 
 
Rogério – Tá na hora de passar esse moço a limpo, senão ele vai continuar impune.

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