Começa a ganhar força nos corredores da Assembleia uma movimentação para reconduzir o atual presidente da Mesa Diretora, deputado Theodorico Ferraço (DEM), ao cargo. Esta seria a quarta vez que o demista assumiria o posto. A manobra teria partido do plenário para evitar que o governador Paulo Hartung (PMDB) consiga emplacar o nome de Rodrigo Coelho (ex-PT).
A possibilidade de colar Rodrigo Coelho na presidência da Assembleia começou a circular no plenário desde o início do ano, mas há muita dificuldade em viabilizar a candidatura do ex-petista, que não teria trânsito suficiente para isso no plenário.
Além de não conseguir agradar os deputados, a impressão na Casa é de que Coelho na presidência daria um perfil mais submisso ao Executivo do que já é a Assembleia atual. Rodrigo Coelho passaria a impressão ao plenário de que sua gestão seria parecida com os quatro presidentes dos dois mandatos anteriores de Paulo Hartung: Claudio Vereza (PT), César Colnago (PSDB), Guerino Zanon (PMDB) e Elcio Alvares (DEM).
Theodorico Ferraço chegou à presidência da Assembleia em meados de 2012, com a ida de Rodrigo Chamoun para o Tribunal de Contas do Estado (TCES). Naquele momento, a reeleição para a presidência da Assembleia era proibida por uma decisão da Casa ainda da gestão Claudio Vereza. Mas no fim de 2012, os deputados apresentaram uma PEC para permitir que o deputado, que estaria em mandato tampão, pudesse ser reconduzido por mais um biênio.
Em 2014, uma nova manobra foi arquitetada no plenário para garantir a permanência de Ferraço na Mesa Diretora. O ex-deputado José Carlos Elias (PTB) apresentou uma nova PEC para garantir o terceiro mandato de Ferraço à frente da Casa, com a justificativa de que se trataria de uma mudança de legislatura.
Agora uma nova PEC garantiria uma quarta gestão de Ferraço na presidência da Assembleia. O deputado é visto pela Assembleia como um nome em condições de colocar o legislativo em um patamar de discussão diferenciado no jogo político do Estado, diferentemente de Rodrigo Coelho que tem um perfil palaciano. A imprecisão dos movimentos de Ferraço é considerada uma importante ferramenta de mediação entre os deputados e o governador.

