A decisão do secretário de Transportes e Obras públicas do Estado, Fábio Damasceno, de permanecer no governo Renato Casagrande depois de o presidente regional do PMDB, Lelo Coimbra, ter entregue os cargos do partido no Executivo, reflete a dificuldade do grupo do ex-governador Paulo Hartung em pôr em prática sua estratégia para 2014.
O efeito da atitude do secretário cria mais tensão no PMDB, já que se tratava de uma indicação, não do conjunto do partido e sim do próprio Lelo Coimbra. O que mostra que o próprio grupo não está em sintonia. Na última segunda-feira (21) Lelo telefonou para o governador e anunciou a entrega do cargo do partido.
O episódio criou um desconforto muito grande no PMDB, já que a decisão foi tomada sem a devida aprovação dos membros do partido. Na terça feira (22), o partido se reuniu e houve muita reclamação por parte da bancada peemedebista.
Ao decidir ficar no cargo, Damasceno destacou a precipitação do PMDB e que a decisão foi pessoal. Em entrevista ao jornal A Tribuna desta quarta-feira (23), o secretário deixou transparecer que engrossa o time peemedebista que não vai aceitar uma decisão vertical sobre o processo do próximo ano.
Na próxima semana é a vez da bancada do partido na Assembleia Legislativa se reunir com o governador Renato Casagrande para reafirmar o compromisso com o palanque de reeleição do socialista. Os sete deputados são contrários à construção da candidatura própria do partido, justamente pela forma que ela foi colocada, costurada com a Executiva Nacional e sem consulta à base.
Outro fato que complica o comando do partido é a matéria publicada no jornal A Gazeta desta quarta-feira, afirmando que o senador Ricardo Ferraço (PMDB) “liberou” a base para apoiar Casagrande. O senador se colocou à disposição para a disputa ao governo do Estado, mas não vem encontrando dentro do próprio partido o apoio necessário para construir essa candidatura.
A fala na conta de Ricardo Ferraço e não do presidente do partido no Estado torna ainda mais evidente a falta de espaço do grupo de Hartung no PMDB. A base que nunca se sentiu representada no governo pela presença de Damasceno na equipe de Casagrande agora sai em defesa do secretário por causa da tratativa unilateral dispensada ao caso.

