O resultado da pesquisa Datafolha divulgado na semana passada sobre a disputa presidencial do próximo ano serviu para que os agentes políticos pudessem sentir o impacto da revolta popular no cenário eleitoral. No Estado esse resultado pode clarear o panorama e facilitar as movimentações das lideranças políticas no agrupamento para a disputa. Mas ainda é preciso diminuir os problemas internos e de acomodação das lideranças nos palanques.
O crescimento constante de Marina Silva sinaliza a sintonia de sua candidatura com as ruas. Mas o partido vive um momento delicado. Nacionalmente precisa que os cartórios reconheçam as assinaturas dos apoiadores da criação da Rede Sustentabilidade. Localmente, precisa diminuir o “fogo amigo” entre suas lideranças e atrair quadros bons de votos para erguer um palanque no Estado para a presidenciável.
Marina aparece em segundo lugar na corrida presidencial em todos os cenários projetados pela pesquisa e se beneficia da simpatia dos capixabas por sua candidatura, o que pode servir de atrativo ao partido. Mas os problemas burocráticos colocam a presidenciável em um luta contra o tempo para garantir sua participação na disputa.
Se Marina Silva aparece muito bem na pesquisa, quem acabou perdendo foi o PSDB. O partido, que tentou capitalizar com as manifestações, alegando que a insatisfação era contra o governo PT, não teve um desempenho que lhe garanta o status de grande opositor no cenário nacional.
No Espírito Santo, o partido vem colocando a candidatura de Guerino Balestrassi ao governo do Estado como uma alternativa para erguer o palanque do senador Aécio Neves (MG) a presidente. Aécio, porém, vem em terceiro lugar na corrida presidencial e o fato de Balestrassi estar sem um mandato eletivo desde 2008 e não ser uma figura de trânsito estadual – foi prefeito de Colatina e nunca foi testado em um pleito mais amplo – pode prejudicar ainda mais os planos do ninho tucano.
O partido do governador Renato Casagrande, o PSB, apresenta a candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que segue estacionado em último lugar, contando com a possibilidade de ampliar sua influência, já que 56% do eleitorado não o conhece. Para isso precisará de tempo de TV.
Mesmo sendo conhecido pelo perfil partidário, o governador Renato Casagrande, no intuito de manter o palanque amplo que o elegeu em 2010, defende a manutenção do PSB no palanque de Dilma Rousseff. Para isso, prega uma postura de neutralidade em relação à disputa presidencial, que permitiria a permanência de PMDB e PT em sua base na disputa do próximo ano.
A postura neutra tenta convencer a cúpula petista a apoiar sua reeleição, evitando uma imposição ao PT local em fechar aliança com o palanque do senador Magno Malta (PR), que oferece um espaço dedicado à reeleição de Dilma no Estado. A presidente segue na frente da disputa, mas apenas o ex-presidente Lula teria condições de fechar a fatura no primeiro turno. Ele, porém, segue mantendo uma distancia segura das articulações e sua entrada em campo pode trazer benefícios à disputa de Dilma pela reeleição.

