Se no Estado as posições criticas ao governo federal do senador Ricardo Ferraço têm atrapalhado sua movimentação para se estabelecer como possível nome do PMDB ao governo do Estado com o apoio do PT, em nível nacional, sua movimentação vai ao encontro da pressão peemedebista por espaço no governo Dilma Rousseff.
Ferraço adota uma posição que se alinha com a da bancada peemedebista na Câmara. Levantamentos recentes mostram que o comportamento do PMDB na gestão da presidente Dilma Rousseff e de diminuição sensível do apoio na base, a maior queda da história do partido.
Em 2011, segundo levantamento de uma conultoria de Brasília, o apoio dos deputados federais do PMDB aos projetos de interesse do governo foi de 65,06%. Em 2012, o índice 50,30% e em 2013 foi de 45,75%. No Senado, no primeiro ano da gestão de Dilma Rousseff o apoio médio da legenda foi de 61,30%. Passou para 56,94% em 2012 e encerrou 2013 com 54,27%.
Neste sentido, o senador Ricardo Ferraço se alinha com o partido em nível nacional. A pressão do PMDB sobre governo federal por cargo depende também do posicionamento da base aliada no Congresso. Com a visibilidade trazida pela escolha do senador como o segundo melhor do ano passado pela Revista Veja, Ferraço ajuda no jogo de pressão do governo federal.
Em várias ocasiões o senador não poupou críticas ao governo Dilma, seja na tribuna do Senado, votando contrário ao interesse do governo, ou dando declarações à imprensa. O peemedebista é um dos defensores da ideia de que o governo federal discrimina o Espírito Santo. Esse discurso afasta os petistas do Estado de uma aliança com o senador para a disputa estadual, já que no PT capixaba, Ricardo Ferraço é visto como senador de oposição.
Sem contar o envolvimento do peemedebista capixaba no polêmico “resgate” do senador boliviano Roger Molina. O episódio causou um desconforto diplomático entre a presidente Dilma Rousseff e o presidente da Bolívia Evo Morales, que ficou possessa com a iniciativa desautorizada do senador Ricardo Ferraço.

