O prefeito de Vitória Luciano Rezende (PPS) já se disponibilizou para prestar contas do exercício de 2015, na Câmara de Vitória, e aguarda agora a definição de dia e horário. Mas pela forma como a prefeitura conseguiu aprovar seu orçamento para 2016 – no penúltimo dia do ano -, tudo indica que clima que o espera será bastante adverso no plenário do legislativo municipal.
Para o vereador Bolão, o prefeito quer fazer a prestação de contas no período de recesso para evitar desgastes. Isso porque esse período aumenta as chances de haver ausências no plenário da Casa e nas galerias, já que dificulta a mobilização dos movimentos civis de Vitória. “Como falta gestão, falta planejamento, o prefeito está com medo do povo”, afirmou.
Mesmo que se confirmem as ausências, o prefeito deve sofrer pressão dos vereadores, que têm uma lista grande de cobranças ao Executivo. O clima político fez com que a relação com a prefeitura piorasse depois que Luciano Rezende passou a ingerir nas bases dos vereadores e nos partidos, que podem causar perdas na disputa deste ano.
Nas prestações de contas anteriores, o prefeito tinha uma base aliada mais forte na Casa. Na oposição mesmo estavam os vereadores Reinaldo Bolão (PT) e o atual secretário de Meio Ambiente, Luiz Emanuel Zouain. Mas o vereador, na época tucano, que no início da gestão adotou uma postura crítica, acabou passando para a base, tanto que se filiou ao partido do prefeito, o PPS.
O cenário na Casa para a prestação de contas deste ano, porém, é muito diferente e a pressão sobre o prefeito deve ganhar coro com a participação de quase metade do plenário. O prefeito tem sete aliados: o presidente Namy Chequer (PCdoB); os correligionários do prefeito Fabrício Gandini e Vinícius Simões; o líder do governo, Rogerinho Pinheiro (PHS), além de Davi Esmael (PSB), Devanir Ferreira (PRB) e Fábio Lube (PDT).
A oposição tem os dois vereadores do PT, Reinaldo Bolão e Marcelão, além do peemedebista Zezito Maio. Mas próximos a eles estão hoje os chamados independentes: vereadores Max da Mata (PSD), Serjão Magalhães (de saída do PSB) e Wanderson Marinho (PRP).
Os vereadores Neuzinha Oliveira (PSDB) e Luisinho Coutinho (SD) estão no grupo dos indecisos, mas nas discussões sobre os índices para que o prefeito possa mexer no orçamento, votaram com a oposição, mantendo o índice em apenas 5%. Esse movimento deixa transparecer que o grupo de vereadores que não estão satisfeitos com a relação com a prefeitura está crescendo na Câmara.

