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Pressionados por Hartung, prefeitos tentam ganhar tempo

A pesquisa Brand/Século Diário, divulgada na semana passada, mostrou que há um grande número de eleitores que ainda não definiu o voto para governador. Na menção espontânea, a pesquisa apontou que esse índice chega a 46%; e na estimulada, 16%. 
 
Esse clima de indecisão dos eleitores é estendido aos prefeitos. Alguns gestores municipais continuam em cima do muro, ou seja, não assumem claramente se estão com Renato Casagrande (PSB) ou Paulo Hartung (PMDB). 
 
É como se os prefeitos indecisos estivessem querendo ganhar tempo antes de cravar o voto em um dos dois candidatos. Eles talvez estejam esperando o início da propaganda eleitoral na TV (a partir do dia 19 de agosto), mais alguns debates entre os candidatos e os resultado de novas pesquisas eleitorais. Com o passar do tempo e a proximidade das eleições, os prefeitos esperam que o índice de indecisos caia e os ajude a escolher entre os dois candidatos com mais, digamos, certeza. Afinal, todo mundo quer apostar no cavalo favorito. A indecisão dos prefeitos é mais um indicador, como mostrou a pesquisa Brand/Século Diário, que confirma a indefinição na disputa a governador. Ao contrário do clima do “já ganhou” que o ex-governador tenta espalhar pelo Estado.
 
A indecisão de alguns prefeitos preocupa ambos os candidatos. Tanto Casagrande como Hartung querem formalizar de uma vez os apoios e transformar os prefeitos em cabos eleitorais. Mesmo porque, eles precisam sair às ruas para pedir votos para os candidatos.
 
As informações de bastidores dão conta que esse assédio é mais agressivo por parte do ex-governador, que pôs sua “tropa de choque” para cima dos prefeitos “indecisos”. A estratégia de enquadrar os indecisos parece ser mais eficiente com os prefeitos mais vulneráveis. 
 
Caso do prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia, o Juninho (PPS), que historicamente sempre foi muito próximo a Paulo Hartung. Nesta segunda-feira (4), Juninho se reuniu com o prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), encarregado de fazer a ponte entre o ex-governador e Juninho. 
 
Hartung destacou um interlocutor para pressionar o prefeito porque sabia que a conversa poderia avançar, como, de fato, avançou. Nesta terça-feira (5) Juninho conversa com Hartung. A reação positiva de Juninho indica que o prefeito já está com um dos pés no palanque de Hartung. O ex-governador sabia, desde o começo das negociações, que o prefeito seria suscetível a mudar de ideia e abandonar o palanque socialista. Antecedentes para sustentar essa tese não faltam.  
 
O prefeito de Cariacica sempre se mostrou reticente em apoiar Casagrande, justamente por causa dessa ligação antiga com Hartung. Em abril deste ano, quando o prefeito de Viana Gilson Daniel (PV) foi incumbido da missão de articular os prefeitos em torno do projeto de reeleição de Casagrande, Juninho foi um dos que deram o chamado “perdido”. 
 
Para oficializar o apoio dos prefeitos à candidatura de Casagrande, Gilson Daniel promoveu um almoço em Viana. Juninho “arrumou um jeito” de chegar após o almoço para não formalizar que estava com o socialista. 
 
Agora o prefeito de Cariacica está na lista das “ovelhas desgarradas” que podem retornar ao rebanho de Hartung. Há um histórico entre os dois que encoraja o ex-governador a crer no apoio de Juninho.
 
A prefeita de Guaçui é um exemplo de que a estratégia da pressão pode funcionar. Até poucas semanas, Vera Costa (PDT) estava com os dois pés no palanque de Casagrande. Não porque morresse de amores pelo socialista, mas por uma questão de sobrevivência política. 
 
Seu maior adversário nas eleições de 2012, José Luis Carvesan, é do PMDB. Se a lógica prevalecesse, ele esperava pedir votos na cidade ao lado do ex-governador, contando que o apoio de Vera a Casagrande era definitivo. Mas na semana passada a prefeita se rendeu à pressão da “tropa de choque” de Hartung, anunciando apoio ao peemedebista. 
 
A decisão inesperada de Vera Costa em apoiar Hartung deixou os próprios integrantes do PMDB de Guaçui de quixos caidos. Mas como o assédio partiu do próprio Hartung, só restou aos correligionários guaçuienses aceitar o apoio da prefeita. 

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