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Primeiros movimentos de campanha revelam quem está com quem

O fim das convenções partidárias e o início das campanhas eleitorais começaram a revelar quem está de fato com quem. Os primeiros movimentos dos candidatos mostram que os casamentos feitos na delegacia estimulam a infidelidade. 
 
 
O tucano Max Filho, que disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados, nunca escondeu seu desejo de levar o PSDB para o palanque de Renato Casagrande (PSB). Dentro do partido, Max dividia esse sonho com o também tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas, que ambicionava ser o candidato do governador na disputa ao Senado. 
 
As costuras de cima para baixo, que contaram com o dedo do candidato ao governo pelo PMDB, o ex-governador Paulo Hartung, jogaram água nos chopes de Luiz Paulo e Max Filho. O ex-prefeito de Vitória já se conformou com o revés. Esta semana, em Vitória, durante o lançamento de sua campanha à Câmara, apareceu entrelaçado com Hartung, deixando claro que o mal-estar já foi superado. 
 
Max Filho, porém, que sempre sofreu perseguição de Hartung, não engoliu o palanque com o ex-governador. Sem culpa, o ex-prefeito de Vila Velha desfilou no fim de semana passado com o governador Casagrande durante visita a Castelo, no sul do Estado. 
 
Hartung cobra fidelidade no seu palanque, mas é bastante tolerante com os aliados clandestinos. O caso mais emblemático é do candidato ao Senado pelo PT, João Coser. Não é segredo para ninguém que o petista esperou Hartung até a última hora. Para o desgosto de Coser, o PT não estava nos planos do ex-governador. A aliança entre os dois partidos gorou, mas a fidelidade entre Coser e Hartung foi mantida.
 
Na clandestinidade, Coser é o candidato da preferência de Hartung. A ligação entre os dois é tão forte que eles não se desgrudaram na última quinta-feira (31) durante a posse do presidente da Federação das Indústrias (Findes), o empresário Marcos Guerra. 
 
Curiosamente, a candidata genuína do PMDB ao Senado, a deputada Rose de Freitas, não tem o mesmo espaço de Coser. Dificilmente o eleitor verá a peemedebista desfilando a tiracolo com Hartung.
 
Se Hartung é infiel a Rose, Coser está sendo infiel ao candidato ao governo do PT. Todo mundo sabe que a candidatura de Roberto Carlos é “tampão”, mas um pouco de discrição ajudaria a preservar a imagem do deputado que, como bom soldado do partido, aceitou a missão de erguer o palanque para a presidente Dilma no Estado. 
 
Discrição mesmo foi o que faltou ao prefeito de Colatina Leonardo Deptulski. Alvoroçado com a presença de Hartung na cidade, o petista esqueceu Roberto Carlos e Dilma e dividiu palanque e microfone, na cara dura, com Hartung e o vice, o tucano César Colnago. Aliás, dois críticos contumazes ao governo do PT. 
 
O prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Carlos Casteglione, outro hartunguete de carteirinha, bem que queria sair pelas ruas da Capital Secreta com a cara no vento pedindo votos para Hartung no último fim de semana. Mas a infidelidade explícita do colega Deptulski fez soar o alerta vermelho dentro do PT. Eles começaram a temer que essas aparições clandestinas (PT-PMDB-PSDB) pudessem queimar o filme de Roberto Carlos com a militância e deixar capenga o palanque capixaba de Dilma. 
 
Ninguém é de ninguém
 
Se os infiéis petistas estão se segurando, no PDT vale tudo: ninguém é de ninguém. O casamento feito na delegacia entre PT-PDT foi um convite à infidelidade. O presidente regional do partido e candidato à Câmara, o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal, fechou a parceria com o PT, mas deu carta branca para seus correligionários escolherem seus palanques ao bel-prazer.
 
No mesmo dia em que oficializou a aliança com o PT, a mulher do ex-prefeito da Serra, a deputada federal Sueli Vidigal, postou mensagem no Facebook dizendo que já tem candidato a governador. Quem? Roberto Carlos? Lógico que não, Hartung na cabeça. Sérgio Vidigal não assumiu publicamente que compartilha a intenção de voto com a mulher. Não precisava. O recado foi dado. 
 
Para piorar a situação do candidato do PT, os pedetistas que não estão no palanque de Hartung, não foram para o de Roberto Carlos. O prefeito de Linhares, Nozinho Correa, foi o anfitrião do lançamento da candidatura de Casagrande esta semana no município. 
 
Outro pedetista que antes mesmo das convenções já estava com os dois pés no palanque do socialista é Josias Da Vitória. O deputado estadual nunca escondeu que faria campanha casada com o governador. A liberação do partido tirou o peso da consciência de Da Vitória, que pode se colocar na posição de infiel assumido. 

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