No início deste processo eleitoral, existe uma grande incógnita no mercado político em torno do posicionamento do senador Ricardo Ferraço (PMDB) no jogo polarizado entre Paulo Hartung, e Renato Casagrande, que disputam o governo. Por enquanto, Ricardo prefere se afastar do processo, evitando desgastes com o palanque peemedebista.
Diante da impossibilidade de viabilizar a própria candidatura ao governo, dentro do PMDB, Ricardo declarou, ainda no início do ano, apoio ao governador Renato Casagrande. Nem mesmo com a carta de Paulo Hartung ao PMDB, disponibilizando o nome para a disputa, o senador voltou atrás na decisão.
Desde então, Ricardo Ferraço vem se dedicando ao trabalho no Senado e se esquivando do processo eleitoral no Estado. Na visita do senador Aécio Neves, presidenciável do PSDB, que tem o apoio do PMDB no Espírito Santo, Ricardo é ausência confirmada. Ele também não esteve na convenção do partido, no dia 29 de junho, por conta de uma cirurgia no joelho.
Para os meios políticos, em uma disputa tão acirrada como promete ser a eleição no Estado, o senador deve se manter afastado. Não vai entrar em rota de colisão, pelo menos neste momento, com o PMDB, até porque esbarra na fidelidade partidária, mas também não vai ajudar na campanha de Hartung.
Se Ricardo entrar na disputa por votos para Casagrande terá de recorrer a uma estratégia velada, diferente de 2008, quando Ricardo Ferraço, ainda no PSDB, fez campanha para o adversário do partido na disputa pela Prefeitura de Vitória. Em vez de apoiar Luciano Rezende (PPS), apoiado pelo PSDB, o então vice-governador Ricardo Ferraço fez caminhadas e pediu votos para João Coser (PT). Depois disso, foi convidado a se retirar do ninho tucano.
Naquele momento, porém, o cenário era diferente. A campanha para Coser foi feita com o aval do então governador Paulo Hartung, que bancou a entrada de Ricardo Ferraço no PMDB.
A eleição de Renato Casagrande é interessante para os projetos políticos do senador. Reeleito, o socialista teria apenas quatro anos de governo, podendo passar o bastão em 2018. Seria uma troca de interesse também da elite empresarial do Estado. Ricardo apoiaria Casagrande ao Senado e o governador o senador para o governo. Com o ex-governador na disputa, caso saia vencedor das eleições de outubro, a cadeira no Palácio Anchieta fica com Hartung durante oito anos, o que tira Ricardo Ferraço da fila da sucessão de 2018.

