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Tucanos se estranham no ninho e lideranças podem sair ‘depenadas’ em 2014

Renata Oliveira e Nerter Samora

Definitivamente, o pleito de 2014 não será igual àqueles que passaram. Papo de Repórter debate as confusões no ninho tucano e as movimentações dos outros partidos em busca de posicionamento político. 

Renata – Entre os partidos que buscam acomodação para a disputa eleitoral do próximo ano, certamente a situação mais difícil é a do PSDB capixaba. O partido saiu desgastado das últimas eleições, não tem um bom desempenho nos primeiros levantamentos sobre o embate presidencial e para piorar vive um momento de racha interno. Com todos esses elementos, o ninho tucano realiza no próximo dia 20 de abril sua convenção estadual, mas o clima não deve ser nada tranquilo até lá, não é?

Nerter – Nesta segunda-feira (1), inclusive, 11 membros da Executiva estadual do PSDB se reúnem para discutir se anulam ou não a convenção do diretório da Capital, que já deu muito o que falar com o tiroteio protagonizado entre o vereador Luiz Emanuel Zouain e Carlos Ayres, o Cassinho, que questionou a eleição. Nessa reunião poderá ser decidido também o destino do ex-prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas, e do próprio Zouain. Acho que o imbróglio, que, aliás, continua se desenrolando no PSDB de Vitória mostra bem a situação do partido. O PSDB está rachado de cima a baixo e suas lideranças estão insatisfeitas com esses problemas. A maior estrela do partido, Luiz Paulo, parece não ter gostado nadinha da manobra do vereador Zouain, que colocou uma chapa puro sangue na sua sucessão à frente do diretório municipal da Capital. Tanto que Luiz Paulo nem deu as caras na convenção. Foi na de Cariacica, o que tornou a coisa ainda mais simbólica.

 

Renata – A insatisfação no ninho tucano só vem crescendo. Um grupo que se sentiu preterido no final do governo Paulo Hartung não gostou nada da entrada de Hartung na campanha de Luiz Paulo, em 2012, isso criou várias discussões entre os militantes e muita gente culpa a derrota na Capital a essa ligação com o ex-governador. Essa aproximação dos vereadores com o prefeito Luciano Rezende (PPS), que enfrentou Luiz Paulo no ano passado, irritou não só o ex-prefeito, mas também boa parte da base. Uma preocupação dos militantes é que como nos últimos dias Luiz Paulo está trabalhando pela viabilização da Rede, de Marina Silva, no Estado, o tucano acabe tentado a trocar de partido, o que seria uma baixa enorme para o tucanato capixaba. Luiz Paulo recebeu também convites formais das lideranças do PMDB e DEM. Se disse lisonjeado com os convites, principalmente o do PMDB, mas afirmou que confia na liderança do deputado federal Céar Colnago para reorganizar o partido.

Nerter – Com relação à Rede, em especial, o PSDB quer fortalecer o virtual partido de Marina Silva para que a sigla possa caminhar com os tucanos em 2014. Luiz Paulo tem uma linha ideológica muito particular, própria do ninho tucano e como a Rede já surge com embate entre diferentes pontos de vistas que integram a futura sigla, acho muito difícil que o ex-prefeito troque de partido. Mas se o PSDB não resolver seus problemas internos, a Rede pode acabar virando uma alternativa se o diálogo com os tucanos ficar complicado. Mas o assédio do PMDB pode falar mais alto, ainda mais se lembrarmos o histórico que liga Luiz Paulo ao ex-governador Paulo Hartung, “dono” do PMDB.

Renata – É preciso ver também quais as colocações das peças no tabuleiro do próximo ano. Luiz Paulo, aparentemente, é candidato a deputado estadual. Outro tucano que pode vir a disputar uma vaga na Assembleia é o ex-prefeito de Vila Velha, Max Filho. O PSDB precisa de uma movimentação que garanta a legenda para esses dois nomes de peso disputarem. Lembrando que haverá problemas no arco de aliança do partido. Nacionalmente o PPS articula uma possível fusão com o PMN, a fim de atrair o ex-presidenciável José Serra (PSDB-SP) para o novo partido. Dificilmente isso vai acontecer, mas é uma variável a ser considerada. No Estado, a relação com o PPS que sempre foi um aliado histórico azedou depois da eleição municipal. O DEM está enfraquecido. Hoje tem três deputados na Casa e dois deles vão ter dificuldade para se reeleger – Elcio Alvares e Atayde Armani –, quando o presidente da Casa, não se sabe qual será o seu destino. Outro parceiro é o PTB, que também terá muita dificuldade no próximo ano.

Nerter – Pelo jeito, resta mesmo a Rede para puxar o barco tucano. Mas apostar as fichas assim em um projeto que, por enquanto, não está consolidado e que estará em outro palanque na disputa presidencial é complicado. Não se sabe se a Rede vai conseguir se viabilizar, não se sabe se as lideranças no Estado vão mesmo encampar o projeto. O PSDB que em 2010 perdeu o governo do Estado, conquistou apenas uma cadeira na bancada federal com César Colnago e ficou sem representação na Assembleia, sabe da importância de estar bem colocado na disputa do próximo ano. O partido precisa se reerguer politicamente, até porque em 2012 perdeu metade das prefeituras que conquistou em 2008. Já o problema da ida de Luiz Paulo para o PMDB é o PT. Lideranças petistas já admitem veladamente que a entrada de Luiz Paulo no PMDB poderia dificultar a composição do palanque de apoio à reeleição de Dilma no Estado, já que Luiz Paulo é um político identificado como crítico ferrenho do PT. 

Renata – Uma alternativa para o partido pode ser o flerte do presidenciável Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB, do governador Renato Casagrande, com o ninho tucano, que poderia selar de vez a aproximação entre o tucanato capixaba e o Palácio Anchieta. Mas os laços que prendem o PSB ao PT são muito mais fortes do que a atração pela candidatura tucana.

Nerter – A situação do PSDB de Vitória e do Espírito Santo é um reflexo do que acontece dentro do partido em nível nacional. Aécio Neves é o presidenciável da vez, mas a impressão é que ele mesmo sabe que o momento de disputar com Dilma Rousseff não é este. O ex-governador de São Paulo, José Serra, ainda acredita que tem condições de disputar, mas pelo jeito, dentro do PSDB, só ele acredita nisso. Depois de três derrotas para o PT na disputa à presidência, duas capitaneadas por Serra, o partido não sabe muito bem como articular seu projeto de oposição.

Renata – No Estado, mesmo tendo enfrentado o atual governador nas urnas em 2010, o partido não teve pernas para erguer um discurso de oposição a Renato Casagrande, muito pelo contrário, aderiu ao sistema político de unanimidade, criado no governo de Paulo Hartung, do qual o partido fez parte e foi convidado a se retirar, e que continua existindo no governo atual. O presidente do partido diz que os tucanos são independentes, mas não é o que parece. O governador vive dando agrados aos tucanos e em contrapartida não se vê qualquer crítica sendo direcionada ao Palácio Anchieta por parte das lideranças que ainda tem mandato no partido.

Nerter – A situação do PSDB é difícil porque o partido parece não saber o que quer. Sem conseguir abalar a força do governo federal petista e sem muito o que fazer no cenário capixaba, o partido está se desidratando cada vez mais e pode ter em 2014 sua última chance de se reerguer. Por isso, antes de procurar o melhor posicionamento entre aliados, precisa repensar seu papel, seu discurso e traçar suas metas de forma mais clara. Ou faz isso, o morrerá de inanição.

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