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Vereadores de Vitória voltam a discutir por causa da data da eleição na Câmara

Grupo de Dalto Neves defende votação em outubro, mas Anderson Goggi segura a pauta

CMV

A polêmica em torno da mudança da data da eleição da Mesa Diretora da Câmara de Vitória voltou para o centro dos debates da Casa nesta semana. Onze vereadores, sob a liderança de Dalto Neves (SDD), protocolaram nesta segunda-feira (13) o projeto de resolução 8/2026, que visa fixar a nova data do pleito interno da segunda metade da legislatura para 1º de outubro. Entretanto, o presidente Anderson Goggi (Republicanos) não demonstrou disposição em colocar a proposta em votação, que teve um pedido de urgência apresentado nesta terça-feira (14).

Além de Dalto, assinaram o projeto os vereadores Bruno Malias (PSB) Ana Paula Rocha (Psol), Karla Coser (PT), Professor Jocelino (PT), Mauricio Leite (PRD), André Brandino (Podemos), Aylton Dadalto (Republicanos), Camillo Neves (PP), João Flávio (MDB) e Pedro Trés (PSB). Eles fazem parte do “Grupo dos 16”, os parlamentares que se posicionaram contra o adiamento da eleição da Mesa – prevista para entre o dia 1º e o dia 15 de agosto, mas barrada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O principal ponto do projeto é a previsão explícita de sessões solenes de Instalação da Mesa Diretora, para o dia 1º de janeiro do primeiro ano da legislatura, às 17 horas, com posse imediata; e de Renovação, marcada para 1º de outubro do segundo ano da legislatura, às 17 horas, com posse no terceiro ano da legislatura.

Na sessão desta terça-feira, Dalto Neves, que pretende se candidatar a presidente da Câmara, argumentou que o STF orienta que as eleições internas de meio de mandato dos legislativos ocorram a partir de outubro, e é necessário fixar de uma vez uma data. Ele apresentou um requerimento de urgência para votação com 15 assinaturas.

Entretanto, Anderson Goggi alegou previsões regimentais da Presidência e não cravou que colocaria a matéria em votação. Goggi alegou que o poder de pautar matérias, em todos os legislativos do Brasil, “é do presidente”, e que ainda existe um recurso do próprio Dalto Neves no STF que trata da questão para ser julgado. Ele também afirmou que estava havendo “interferência do Governo do Estado” em Vitória, apesar de ter admitido, posteriormente, intervenções do ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) sobre a questão.

João Flávio, porém, negou qualquer interferência e disse que “renunciaria” ao mandato se fosse provado que o governador Ricardo Ferraço (MDB) tentou interferir na questão. Outros vereadores do G-16, como Dárcio Bracarense (PL) e Karla Coser (PT), consideraram normal haver disputas políticas, mas que “interferência é diferente de interesse”.

Já o líder do Governo Leonardo Monjardim (Novo), no discurso mais exaltado do dia, acusou o G-16 de travar a pauta da Casa com a discussão sobre a eleição da Mesa Diretora, o que “não interessa à sociedade”. Ele relatou ainda que tentou uma oferta de “pacificação” da Câmara, com uma conversa envolvendo Dalto Neves, Aylton Dadalto e Camillo Neves junto ao subsecretário de Governo, mas que Dalto teria lhe exigido uma “assinatura”, postura que o desagradou. Monjardim também prometeu “endurecer” e “partir para o enfrentamento”.

Luiz Emanuel (Republicanos), da base governista, seguiu na mesma toada de argumentar que a disputa por “poder interno” estava transformando a Casa em um “ambiente desgastante”. Citando o Mensalão, esquema de compra de apoio parlamentar que explodiu durante a primeira Presidência do PT no Brasil, afirmou que Pazolini só tentou interferir na sucessão da Câmara na base da “política”, e não de “negociações”, mas acabou exposto – mencionando, aqui, a famosa gravação de uma ligação em que o ex-prefeito de Vitória pressiona Dalto a desistir da ideia de manter a data da eleição como estava.

Davi Esmael (Republicanos) e Armandinho Fontoura (PL), ambos de situação, argumentaram que a eleição de renovação da Câmara costumava ocorrer em dezembro, e que a mudança de data foi um erro – uma alteração influenciada na época pelo próprio Armandinho, que foi eleito presidente em 2022, mas não conseguiu assumir, tendo em vista que foi preso, por ordem do STF, acusado de integrar uma “milícia privada digital” que incentivava ataques à democracia.

Alguns representantes do G-16 rechaçaram a ideia de que a eleição da Mesa Diretora não “tem importância”, tendo em vista o que estava acontecendo naquele momento, com o presidente com poder de pautar votações. Mas foi Anderson Goggi que, em meio à discussão, citou um detalhe particularmente importante desta disputa: o próximo presidente estará na linha direta de sucessão da prefeita Cris Samorini (PP), considerando que ela já era uma vice que assumiu o lugar do titular do mandato.

As tentativas de Lorenzo Pazolini em influenciar na mudança da data da eleição tiveram influência direta na mudança dos “ventos” na Câmara de Vitória, que agora apresenta um cenário de maior hostilidade em relação à gestão municipal. A tendência é que essa discussão tenha novos capítulos nas próximas semanas.

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