Os médicos credenciados aos planos de saúde no Espírito Santo decidiram, depois de reunião realizada na noite desta segunda-feira (8), manter o atendimento aos usuários. Por enquanto, a greve, orientada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), não será realizada.
Os médicos estão em assembleia permanente até a próxima segunda-feira (15), quando uma nova reunião deverá ser realizada no auditório do Conselho Regional de Medicina do Estado (CRM-ES). Os médicos já receberam propostas dos planos de saúde, que devem ser amadurecidas até o próximo encontro.
A orientação do CFM era que os médicos credenciados a planos de saúde suspendessem todos os atendimentos, consultas e cirurgias eletivas pelo período de 15 dias, a partir desta quarta-feira (10). Neste período, somente procedimentos de urgência e emergência deveriam ser realizados.
Participaram da reunião realizada nesta segunda-feira representantes do CRM, do Sindicato dos Médicos do Estado (Simes) e da Associação Médica do Espírito Santo (Ames). Além do reajuste de honorários de consultas e outros procedimentos, a pauta de reivindicações inclui a inserção, em contrato, dos critérios de reajuste, com índices definidos e periodicidade e o fim da intervenção dos planos na relação médico-paciente.
De acordo com o vice-presidente do CRF, Aloísio Tibiriçá, as receitas dos planos de saúde no Brasil crescem, em média, 14% ao ano, mas o reajuste não é passado aos médicos. Segundo ele, o valor pago por consulta realizada já chegou a representar 40% dos gastos pelas operadoras, mas atualmente fica entre 14% e 18%.
Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam que, entre 2003 e 2011, a receita das operadoras cresceu 192%, enquanto o valor médio pago por consulta aumentou 65%. Cálculos da própria categoria, entretanto, indicam que o reajuste foi de 50%.

