A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) divulgou nota na tarde desta quinta-feira (28) salientando que em hipótese alguma admite comportamento que não esteja de acordo com a seriedade e o decoro exigidos pelo Parlamento Mineiro. A Assembleia espera que a Polícia Federal realize as apurações o mais rápido possível a respeito do caso do helicóptero apreendido no Espírito Santo, neste domingo (24). A aeronave, que é de propriedade do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD), transportava 445 kg de pasta base de cocaína e era pilotado por Rogério Almeida Antunes que, além de funcionário da empresa de Perrella, também era servidor comissionado do Legislativo mineiro.
A Mesa Diretora da ALMG decidiu por exonerar Rogério após o incidente; determinar à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar que realize todas as apurações necessárias; proibir o reembolso de combustível de aeronaves, apesar de não ser ilegal a utilização da verba indenizatória na aquisição de combustível para deslocamento do deputado no exercício de sua atividade parlamentar; e determinar à Procuradoria-Geral que acompanhe na Polícia Federal o andamento das apurações.
Rogério Antunes foi preso com o copiloto Alexandre José de Oliveira Júnior; o comerciante Róbson Ferreira Dias; e Everaldo Lopes de Souza em uma propriedade rural de Afonso Cláudio, em uma operação conjunta entre a Polícia Federal e a Militar. O helicóptero estava em nome da Limeira Agropecuária, da família do senador pelo estado de Minas Gerais Zezé Perrela (PDT), de propriedade do deputado estadual Gustavo Perrella, filho do senador.
O combustível da aeronave era reembolsado pela ALMG por meio de verba indenizatória. No entanto, o deputado afirmou à imprensa que o voo em questão não foi pago com dinheiro público, já que a verba indenizatória não foi paga este mês. Na ocasião da prisão do piloto, o deputado disse que não sabia que o helicóptero estaria sendo usado naquele dia por acreditar que estivesse em manutenção, mas recuou, depois que o piloto disse ter se comunicado com o parlamentar, e disse ter recebido uma mensagem do piloto avisando sobre o frete e deu o aval. Ambos afirmam que não sabiam que o transporte seria de drogas.
Em entrevista coletiva após a apreensão das drogas e da aeronave, o superintendente da Polícia Federal no Estado, delegado Erivelton Leão de Oliveira, disse que o piloto alegou ter recebido R$ 60 mil para fazer o transporte da carga de São Paulo para o Espírito Santo. O superintendente acrescentou que as investigações vão prosseguir para apurar se as drogas seguiriam do Espírito Santo para outros estados.
A movimentação em torno do caso começou há cerca de dez dias, quando uma propriedade rural no município de Brejetuba, também na região serrana, começou a ser monitorada pela PF. A propriedade havia sido adquirida há aproximadamente um mês por um valor cinco vezes acima do de mercado, o que levantou suspeitas no município e chegou à Polícia Militar que, num trabalho de inteligência, passou a monitorar a movimentação na localidade.
Segundo o superintendente, na ocasião da aquisição da propriedade houve um churrasco e os participantes comentaram que voltariam no fim do mês. Depois disso o monitoramento começou a ser feito.
No dia da chegada da droga, os policiais federais fizeram o monitoramento na região em que os suspeitos circulavam em terra. Eles ficaram de campana na mata aguardando a chegada do carregamento. Os suspeitos foram presos no momento em que descarregavam a droga e se preparavam para abastecer a aeronave.

