Os bolsonaristas que apoiam Ricardo Ferraço; as “traições” nas coligações; Refis Vitória; e mais

Bolsonaristas com Ricardo
O prefeito de Santa Maria de Jetibá (região serrana), Ronan Zucoloto, foi expulso do Partido Liberal (PL) por não comparecer a um encontro com o senador Magno Malta. Na última semana, publicou um vídeo nas redes sociais deixando claro seu posicionamento nas eleições deste ano: continua bolsonarista e vai votar em Flávio Bolsonaro (PL) para presidente, mas, para governador, apoiará Ricardo Ferraço (MDB). Dos outros prefeitos capixabas eleitos pelo PL em 2024, a maioria parece seguir o mesmo caminho. Camarão, de Muqui (sul do Estado), declarou apoio a Ferraço no ano passado. Tiago Rocha, de São Gabriel da Palha (noroeste), e Dr. Luis Pancoti, de Ibatiba (Caparaó), não anunciaram publicamente o voto para governador, mas estão fazendo campanha para a reeleição de Vandinho Leite (MDB), que é líder do governo na Assembleia Legislativa (Ales). Já o deputado estadual Callegari (DC), que saiu do PL no ano passado para conseguir se candidatar a senador, fez até live nas redes para combater os “haters” que o atacam por declarar voto em Ricardo, apesar de sua ligação com o bolsonarismo.
Será que teremos campanha este ano pelo voto “Ricardonaro” (Ricardo Ferraço + Flávio Bolsonaro)?
Casanaro
No segundo turno das eleições de 2022, ganhou força o movimento “Casanaro”, formado por aqueles que apoiavam, simultaneamente, a reeleição de Renato Casagrande (PSB) para o Governo do Estado e Jair Bolsonaro (PL) para a Presidência da República. Boa parte dos integrantes daquela “campanha” continuam no bloco governista atualmente, como os deputados federais Da Vitória (PP), Gilson Daniel (Podemos) e Dr. Victor Linhalis (PSB, então no Podemos), e os prefeitos de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), e de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB). Na ocasião, o voto casado em um governador de centro-esquerda e um presidente de extrema direita parecia contraditório. No caso de uma eventual campanha “Ricardonaro”, não haveria contradição alguma.
Ricardo de direita
Ricardo Ferraço diz não gostar de “disputas ideológicas”, mas suas ações o colocam à direita no espectro ideológico. Quando senador, votou a favor do impeachment contra Dilma Rousseff (PT) e foi relator da Reforma Trabalhista. Também foi presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal durante o biênio 2013–2014, quando se contrapôs a governos de esquerda da América Latina. Como governador, tem feito sinalizações cada vez mais abertas em direção à extrema direita, a ponto de participar de encontro armamentista em Vila Velha. Além disso, transferiu para a área de Segurança Pública a coordenação da política estadual de prevenção e conciliação de conflitos fundiários, antes a cargo da Secretaria de Direitos Humanos, medida comemorada pela extrema direita. Entretanto, Ricardo se declara “neutro” na disputa pela Presidência da República, ao contrário do principal adversário, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que declarou voto em Flávio Bolsonaro. Para o “bolsonarismo raiz”, a neutralidade é uma falha grave.
Centro?
Ao justificar seu posicionamento na disputa para governador, Callegari alegou que os dois principais candidatos a governador de direita são, na verdade, de “centro”, e ele pode escolher quem bem entender, em meio a um cenário sem candidaturas que contemplem totalmente seus princípios ideológicos. De fato, as diferenças entre Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini estão mais na forma do que no conteúdo – como abordamos em outro texto -, e nenhum deles é um “bolsonarista raiz” (vou deixar a parte de classificá-los como de “centro” para Callegari). Pazolini declarou voto em Flávio Bolsonaro nas eleições deste ano, mas se esquivou de se posicionar junto aos bolsonaristas em outros momentos.
Lulistas com Ricardo
Por outro lado, o antipetista Ricardo Ferraço tende a se beneficiar com votos de apoiadores do presidente Lula que eventualmente se descolarem da candidatura de Helder Salomão (PT) para o Governo do Estado. Nesse sentido, a neutralidade de Ricardo é um ponto a favor. Além disso, a coligação governista inclui partidos com viés progressista (PSB e PDT). No mais, é preciso considerar que grande parte dos eleitores não está interessada em disputas ideológicas em sentido estrito, ainda que as ideologias sempre tenham influência no voto, mesmo que indireta.
‘Traições’
Em contraponto, a simpatia ideológica poderá favorecer “traições” às coligações partidárias estabelecidas. Parte dos militantes do Partido Socialista Brasileiro (PSB) tende a votar em Fabiano Contarato (PT) como segundo nome para o Senado ao lado de Renato Casagrande, e não em Rose de Freitas (MDB), muito por conta da parceria entre PT e PSB a nível nacional – a Juventude Socialista Brasileira no Espírito Santo (JSB-ES), por exemplo, tem atuado na campanha do presidente Lula no Estado. Dentro da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), há quem defenda Professor Fabian (Psol) como segundo nome, e não Casagrande, como foi a posição oficial. E, entre os governistas, não será surpresa se houver apoios informais a Evair de Melo (Republicanos) para senador.
Refis
A Câmara de Vereadores de Vitória aprovou, nesta segunda-feira (31), a prorrogação do prazo de adesão ao Programa de Incentivo à Regularização Fiscal com a Fazenda Pública do Município de Vitória – Refis Vitória 2026. Agora, quem quiser aderir à iniciativa para quitar débitos tributários e não tributários com a prefeitura poderá fazê-lo até 18 de dezembro (antes, o prazo se encerrava nesta segunda). Vereadores de oposição reclamaram da tramitação em regime de urgência, mas todos votaram a favor – com exceção de Pedro Trés. O vereador do PSB argumentou que o resultado do programa não foi satisfatório no período regular, já que houve aumento da dívida ativa. Além disso, ressaltou que já existe um programa próprio da prefeitura, o AcordoVix, que cobre a maior parte dos itens do Refis.

