A aprovação da LDO na capital; a relação estremecida entre Cris Samorini e a Câmara; a convenção do PSB; e mais

Habemus quórum
A Câmara de Vitória finalmente alcançou quórum deliberativo na sessão ordinária nesta segunda-feira (27) e aprovou o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) da prefeitura para 2027. Nas duas sessões anteriores, os vereadores esvaziaram o plenário em protesto contra o pedido de cassação do mandato de Professor Jocelino (PT), feito pela gestão da prefeita Cris Samorini (PP), criticado até mesmo pela sua base parlamentar – e que acabou arquivado pelo presidente do Legislativo, Anderson Goggi (Republicanos). Ao todo, 29 emendas ao projeto foram rejeitadas, após terem conseguido apenas sete votos favoráveis, entre eles os de Aylton Dadalto (Republicanos), Bruno Malias (PSB) e Camillo Neves (PP). Na hora da votação da LDO sem emendas, sobraram apenas quatro contrários: Ana Paula Rocha (Psol), Karla Coser (PT), Pedro Trés (PSB) e Professor Jocelino. Será que agora a maioria do parlamento voltará às boas com a prefeita?
Prontos para outra?
Davi Esmael (Republicanos), vereador de situação, afirmou que quem se articulou contra a LDO fez oposição “à cidade”, e não à prefeita, e acrescentou que “aos inconformados, a LOA [Lei Orçamentária Anual] vem pela frente”. Armandinho Fontoura (PL), outro da base governista, declarou que “a política, quando bem feita, supera as divergências”. Ambos manifestaram que a próxima preocupação é quanto ao processo de revisão do Plano Diretor Urbano (PDU), que começou a ser discutido no início do ano. Já Leonardo Monjardim (Novo), líder do Governo, preferiu falar de sua passagem por Venda Nova do Imigrante (Região Serrana) no fim de semana, onde tomou posse na Academia de Letras e Artes (Alaveni). No fim das contas, com o plenário esvaziado, a sessão terminou mais cedo. Mesmo os governistas pareciam com pouca disposição para esticar o assunto, e a maioria adotou a “tática do silêncio”.
Déficit fiscal
Pedro Trés mencionou, em sua justificativa de voto, o fato de que a LDO aprovada prevê déficit primário, o que contradiz o discurso da gestão municipal de equilíbrio nas contas públicas. A receita total primária esperada para 2027, de acordo com o projeto, é de R$ 3,2 bilhões. Já as despesas foram fixadas em R$ 3,6 bilhões – ou seja, R$ 393,1 milhões de déficit. Mas a situação também pode ser usada como argumento na hora de a gestão deixar de lado certos benefícios para os servidores – como, aliás, a própria Cris Samorini deu a entender em sua prestação de contas.
Delírio e chumbo trocado
Professor Jocelino agradeceu a Anderson Goggi pelo arquivamento do pedido de cassação do seu mandato, o qual chamou de “delírio” da prefeitura. “Queria ver se apresentassem um pedido de impeachment da prefeita”, comentou. Jocelino ainda classificou a LDO como uma “farsa”, uma vez que não foca nos moradores “que mais precisam”. Já Darcio Bracarense (PL) comentou que “chumbo trocado não dói”, e que um pedido de impeachment seria uma proposição legítima dentro das discussões políticas do parlamento. Mas, novamente, buscou isentar Cris Samorini dos desencontros com a Câmara, alegando que ainda não houve “transição” de governo, sendo necessário “paciência” para que a gestão “mostre a que veio”. Foi mais uma alfinetada ao ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), que estará no mesmo palanque que ele em outubro.
Casagrande com Lula
A convenção do Partido Socialista Brasileiro (PSB) foi realizada no último sábado (25), confirmando o lançamento de Renato Casagrande para o Senado e o apoio a Ricardo Ferraço (MDB) para governador. Na ocasião, Casagrande também afirmou que apoiará a tentativa de reeleição do presidente Lula (PT), tendo em vista que o PSB está na vice da chapa, com Geraldo Alckmin. Resta saber se o ex-governador fará de fato campanha para Lula no Estado, como querem os petistas, ou se será uma declaração de voto protocolar, como aconteceu nos últimos pleitos.
E Ricardo?
Quanto a Ricardo Ferraço, não há chance de apoiar Lula, tendo em vista seu histórico antipetista. Além do mais, ele mesmo esteve entre os presidentes de diretório do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) que defenderam, este ano, a neutralidade do partido diante uma possível negociação de aliança com o atual presidente. Fica a dúvida se o governador vai apoiar algum outro pré-candidato à presidência. Ele tem feito movimentos cada vez mais direcionados à extrema direita, mas os bolsonaristas estarão no palanque de Lorenzo Pazolini.
E o PSD? E Hartung?
Ainda segue a dúvida sobre qual será o posicionamento do Partido Social Democrático (PSD) nas eleições com relação às disputas majoritárias. Com Lorenzo Pazolini, a relação ficou estremecida após o fechamento da aliança entre Partido Liberal (PL) e Republicanos. Com o grupo governista, as conversas foram iniciadas, mas há entraves. Um dos principais é a presença do ex-governador Paulo Hartung, adversário de Ricardo e de Casagrande. Hoje, desenha-se um cenário em que o PSD lança candidaturas próprias para as majoritárias, com Hartung para governador e Sérgio Meneguelli para senador. Vale destacar que o PSD nacional oficializou neste fim de semana a pré-candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República.
Monjardim garantido
O partido Novo saiu na frente e já oficializou o pedido de registro da candidatura de Leonardo Monjardim para senador. Ainda não se sabe se a sigla vai ficar sozinha ou entrará na aliança do PL e do Republicanos. De qualquer forma, o vereador de Vitória já está garantido na disputa majoritária.

