O possível lançamento de Leonardo Monjardim para governador; a disputa pela vice de Pazolini; o apoio do PT a Casagrande; e mais

Monjardim contra Pazolini?
Mais uma surpresa nas movimentações eleitorais capixabas. O partido Novo informou nessa segunda-feira (10) que avalia a possibilidade de lançar o vereador de Vitória Leonardo Monjardim, já registrado na disputa ao Senado, como candidato a governador em outubro deste ano. A situação foi avaliada em reunião entre o presidente estadual do Novo, Iuri Aguiar, o presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro, e o próprio Monjardim. O que está em vista é a construção de palanques estaduais para o candidato a presidente da sigla, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema. Só que isso pode gerar uma tremenda saia justa no Espírito Santo. Leonardo Monjardim é líder do Governo da prefeita Cris Samorini (PP) na Câmara de Vitória, assim como foi do ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) – e que agora se tornaria seu adversário em uma eventual disputa para governador. Também não seria bom para Pazolini ter que encarar nas urnas um candidato adicional dentro do próprio campo político, em que pese o fato de o ex-vereador de Vitória não contar com tanta densidade eleitoral.
Vice em questão
A movimentação também pode ser interpretada como um tentativa de valorizar o passe do Novo, que tem em vista a possibilidade de indicar a candidatura a vice na chapa de Lorenzo Pazolini. O próprio Leonardo Monjardim seria um dos nomes cotados. Questionado por Século Diário sobre essa possibilidade, Iuri Aguiar respondeu apenas que “tudo pode acontecer”. O presidente estadual do Novo afirmou ainda que a sigla continua “aberta ao diálogo” com o grupo do Partido Liberal (PL) e do Republicanos.
Disputa nacional
Romeu Zema trilha um caminho próprio na disputa pela Presidência da República, se contrapondo ao campo bolsonarista. Fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também presidenciável, no caso “Dark Horse” – inclusive, foi repreendido por representantes da extrema direita capixaba. No Espírito Santo, porém, houve um esforço adicional para a relação do Novo com o bolsonarismo se manter em bons termos, apesar de Leonardo Monjardim ter feito acusações recentes ao deputado federal Evair de Melo (Republicanos), candidato a senador escolhido pelo bloco de oposição; segundo Monjardim, Evair estava tentando atrair suplentes do Novo, esvaziando sua candidatura. Veremos em breve como essas articulações se resolverão.
Mulher na chapa
Voltando ao tema da indicação a vice de Lorenzo Pazolini. Não deu certo a ideia de colocar a primeira-dama de Colatina (noroeste do Estado), Livia Vasconcelos, por conta da declaração de neutralidade do Partido Social Democrático (PSD), mas a preferência na escolha, segundo se especula, continua sendo por uma mulher para a vaga (sobretudo consevadora!). A ex-deputada federal Soraya Manato (Republicanos) seria uma das consideradas, disputando com indicações dos outros dois partidos da aliança (PL e Democratas).
Estratégia antiga
Aliás, essa não seria uma estratégia nova para Lorenzo Pazolini, que escolheu mulheres como vice nas duas ocasiões em que se elegeu para prefeito de Vitória. Durante o primeiro mandato na capital, a relação com sua então vice, Capitã Stéfane (Podemos), resultou em violência política de gênero, com Pazolini arrancando o microfone de Stéfane durante uma inauguração em Camburi, em novembro de 2022. Com Cris Samorini (PP), correu tudo bem, mas rendeu uma polêmica que transbordou dos meios políticos propriamente ditos: o episódio “show do Calcinha Preta”, quando os dois foram supostamente flagrados em situação de intimidade. Controvérsias à parte, Samorini se mantém como aliada do ex-prefeito.
PT confirma apoio a Casagrande
O Partido dos Trabalhadores (PT) confirmou, nessa segunda-feira (10), uma decisão que já era dada como certa: a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), que lançou apenas Fabiano Contarato (PT) como candidato a reeleição como senador, vai apoiar Renato Casagrande (PSB) como segundo voto para o Senado. A nota oficial cita “a importância da reeleição do presidente Lula, e a necessidade de termos senadores conectados ao projeto democrático de desenvolvimento do país”, bem como “a construção de um Congresso responsável e comprometido com a democracia, com a soberania, com a justiça social e a promoção da cidadania.”
Campanha para Lula?
A estratégia do PT visa atrair Renato Casagrande para a campanha do presidente Lula no Espírito Santo. Casagrande declarou voto em Lula, até pelo fato de o Partido Socialista Brasileiro (PSB) compor a chapa presidencial lulista com Geraldo Alckmin. Mas, este colunista não apostaria em um esforço ativo do ex-governador a favor da reeleição do petista, por conta do comportamento apresentado nas duas últimas eleições.
Efeitos da aliança informal
A aliança informal com um representante da gestão estadual também tende a enfraquecer o discurso do campo progressista de construir um projeto político que busca se contrapor “ao que está aí”. A verdade é que, até bem pouco tempo, o PT participava do Governo do Estado, algo que seus adversários não vão esquecer. Saiu porque Ricardo Ferraço (MDB), o candidato a governador escolhido por Renato Casagrande, é antipetista e não haveria espaço para composição com o presidente Lula. Foi por conta disso que o deputado federal Helder Salomão (PT), campeão de votos em 2022 para o Congresso Nacional, acabou sendo deslocado para a disputa majoritária.
Apex: o que vem por aí?
A Assembleia Legislativa do Estado (Ales) voltou essa semana com um confronto entre situação e oposição em torno do escândalo da Apex Partners, conforme relatado por Século Diário. A história deverá render mais nas próximas semanas, mas, por enquanto, os principais atores políticos do Estado não têm comentado o assunto publicamente.

