A opção de Pazolini pelo bolsonarismo; os ruídos da articulação entre aliados do ex-prefeito; a posição do campo progressista; e mais

As consequências das escolhas de Pazolini
O Partido Liberal (PL) e o Republicanos, enfim, anunciaram que estarão no mesmo palanque eleitoral no Espírito Santo em outubro deste ano. O PL vai apoiar Lorenzo Pazolini como pré-candidato a governador, e o Republicanos abraçará Maguinha Malta para o Senado Federal. Entretanto, o que parecia ser uma consolidação da tão aguardada “frente conservadora” capixaba, na verdade, se mostrou o contrário: uma divisão da direita no Estado. Isso porque a nova aliança está deixando de escanteio alguns parceiros de Pazolini. O Partido Social Democrático (PSD), presidido no Estado pelo prefeito de Colatina (noroeste), Renzo Vasconcelos, tinha sido o primeiro a se somar ao ex-prefeito de Vitória, mas agora foi solenemente desconsiderado nas tratativas do PL com o Republicanos. E Pazolini também terá que aparar arestas dentro da própria sigla.
Muy amigo
O ex-governador Paulo Hartung, que parecia fora do jogo eleitoral, agora é apontado como possível candidato do PSD a governador. Ele já havia declarado apoio a Lorenzo Pazolini, a quem apontou como “nova liderança”, e muitos dos quadros que passaram pela gestão do ex-prefeito de Vitória são ligados ao grupo político hartunguista. Só que o ex-governador não se dá nada bem com o bolsonarismo-raiz. O mesmo pode ser dito do deputado estadual Serginho Meneguelli (PSD), que quer salvar sua pré-candidatura a senador de uma “nova sacanagem”, como classifica a retirada de sua candidatura pelo Republicanos em 2022. Por isso, Meneguelli partiu para o ataque: passou a defender abertamente que o PSD tem “tamanho” para sustentar palanque próprio, a ser encabeçado por ele e Hartung.
Muy amigo 2
Outro ponto a ser esclarecido diz respeito à situação do deputado federal Evair de Melo (Republicanos), que quer ser candidato a senador. Sempre ao lado de Lorenzo Pazolini em sua pré-campanha, ele não compareceu ao encontro do PL em Vitória, realizado no sábado (18). Evair até posou para uma foto junto com Maguinha Malta no fim de semana, quando os dois se esbarraram na Festa da Colheita da Comunidade de Califórnia, em Domingos Martins (região serrana). Entretanto, o deputado é visto como potencial adversário de Maguinha na busca por votos para senador. Vale destacar ainda que Carlos Manato (Republicanos), outro apoiador de Pazolini, também quer ser candidato a senador, mas rompeu com Magno Malta após as eleições de 2022. Manato até esteve presente no evento do Partido Liberal, mas não foi recepcionado entre as “autoridades” e passou despercebido.
Aposta no bolsonarismo-raiz
Com a nova aliança, o Republicanos de Pazolini aposta todas as fichas no bolsonarismo-raiz como forma de se contrapor ao até agora principal adversário nas urnas este ano, o governador Ricardo Ferraço (MDB) – que, por sinal, tem se aproximado cada vez mais da extrema direita. O ex-prefeito de Vitória, porém, sempre teve uma relação ambígua com os bolsonaristas. No próprio evento do PL no último sábado, ele focou o discurso em supostas conquistas de seu mandato no combate à violência de gênero – vamos combinar que essa pauta não é o forte dos bolsonaristas… O preço da aliança também parece ter sido muito alto. No pior cenário, existe o risco de o PSD buscar o colo governista, fortalecendo ainda mais a chapa de Ferraço. Além do mais, o próprio Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente do bolsonarismo, começou a cair nas pesquisas, após a revelação de suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. E dizem que vem mais por aí…
E o PT?
O deputado federal Helder Salomão (PT), único pré-candidato a governador do campo progressista, certamente está torcendo pela briga na direita. Mas sabe que, se quiser ser competitivo, precisará de bem mais do que uma “união da esquerda” para se contrapor aos direitistas. Tanto é assim que tem falado em “furar a bolha” para buscar os votos do eleitor no “terreno do adversário”. E a esquerda também tem algumas questões a resolver: a chapa para o Senado, que rendeu conflitos entre o Psol e a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV); e a participação da Rede Sustentabilidade, que é federada com o Psol, mas quer ficar no palanque governista.
Podemos abre temporada de convenções
O Podemos deu a largada das convenções partidárias nesta segunda-feira (20) consolidando o apoio a Ricardo Ferraço para governador, além de Renato Casagrande (PSB) e Rose de Freitas (MDB) para o Senado. Na ocasião, foram lançadas as 42 pré-candidaturas nas chapas proporcionais. Mas a sigla, liderada no Estado pelo deputado federal Gilson Daniel, quer mais: a vaga de vice na chapa de Ricardo Ferraço.
Sabatinas do PPM
O Projeto Político Militar (PPM), movimento de articulação de associações militares estaduais, iniciou uma série de “encontros” com pré-candidatos a senador. Nessa segunda-feira (20), foi a vez de Renato Casagrande. Fabiano Contarato (PT) e Marcos do Val (Avante) serão os próximos, ainda com datas a definir. Em maio, o PPM sinalizou apoio a Lorenzo Pazolini como pré-candidato a governador, argumentando a “oportunidade histórica” de tentar levar “um profissional da segurança pública ao comando do Governo estadual pela primeira vez” – Pazolini é delegado da Polícia Civil.
Comissão Processante contra Baiano do Salão
A Câmara de Vitória instalou nessa segunda-feira uma Comissão Processante para analisar a provável cassação de Baiano do Salão (Podemos), vereador condenado em primeira instância a 31 anos de prisão por estupro de vulnerável. No mesmo dia, os três integrantes deram início aos trabalhos: todos querem resolver essa situação o mais rápido possível. Ana Paula Rocha (Psol), Armandinho Fontoura (PL) e João Flávio (MDB) foram sorteados para a comissão. Armandinho foi colocado como relator, e João Flávio, como presidente, em votação entre os três.

