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André Mendonça, o novo ídolo do bolsonarismo capixaba

Abraço da extrema direita ao ministro; reação da esquerda; habeas corpus negado em Pedro Canário; e mais

STF

“Clamor” por Mendonça

O ministro André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Supremo Tribunal Federal (STF) por ser “terrivelmente evangélico”, ganhou mais pontos com a extrema direita após o recente enfrentamento com Alexandre de Moraes. O senador capixaba Magno Malta (PL) pediu “orações” para ele nas redes e depois reiterou a mensagem em coletiva de imprensa da oposição no Congresso Nacional. “André Mendonça, não dê um passo atrás! Nós estamos contigo, o povo está contigo! Eu peço a você que me vê, que me ouve, você que crê em Deus, ama esse país, vamos cobrir André Mendonça de um clamor de oração até que se resolva o banimento dos abutres”, conclamou. Na postagem nas redes sociais que reproduz o discurso, o deputado estadual Lucas Polese (PL) comentou que “Mendonça está nas minhas orações diárias! Sem Deus não chegaremos, não.” Gilvan da Federal (PL) também postou nos perfis que o “Brasil está com você, André Mendonça!”, além de reproduzir vídeos de embates no Supremo entre Mendonça e Moraes.

Teto de vidro

Acontece que André Mendonça também foi flagrado em interações suspeitas com Daniel Vorcaro, do Banco Master, como revelou nessa quarta-feira (3) o jornalista Paulo Motoryn na newsletter independente Noites Húngaras. O ministro também não levantou o sigilo das investigações que envolvem o senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL). Ou seja, há claros indícios de direcionamento político-eleitoral por parte de Mendonça – em que pese os indícios gravíssimos que recaem sobre Alexandre de Moraes, e que precisam de investigação séria. Os bolsonaristas capixabas (e do Brasil em geral), no fim das contas, estão apenas em busca de um antagonista dentro do STF ao homem que julgam como “imperador de toga”, sem nenhuma proposta concreta para a solução da crise institucional que se instalou. Além do mais, as relações de outros personagens da extrema direita com o banqueiro preso estão vindo à tona, como é o caso do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que teria chamado Vorcaro de “lindão” em mensagens de celular – matéria assinada por Juliana Dal Piva no ICL Notícias trata do assunto.

Questão pessoal

Não custa lembrar que, para alguns bolsonaristas capixabas, a luta contra Alexandre de Moraes é também uma questão pessoal. Os vereadores de Vitória, Armandinho Fontoura, e de Vila Velha, Pastor Fabiano, passaram um tempo presos por ordem do “Xandão”, no âmbito dos inquéritos que apuram a realização de atos antidemocráticos após as eleições de 2022. O ex-deputado Carlos Von e o deputado estadual Capitão Assumção foram alvo de medidas restritivas – no caso de Assumção, houve uma determinação de prisão preventiva, mas a Assembleia Legislativa do Estado (Ales) o livrou da cadeia. Todos eles são candidatos a deputado estadual pelo PL este ano – com exceção de Carlos Von, que está na disputa para federal.

Esquerda quebra o silêncio

Na coluna anterior, destacamos que as principais lideranças de esquerda no Estado não haviam se manifestado sobre os novidades do escândalo do Banco Master envolvendo Alexandre de Moraes. O silêncio parece estar sendo quebrado, ainda que timidamente. Ainda nessa quarta-feira (2), o senador Fabiano Contarato (PT) defendeu nas redes sociais que as revelações são “gravíssimas e precisam ser apuradas com independência, rigor, transparência e absoluta transparência”. Já a deputada estadual Camila Valadão (Psol) fez publicações nesta quinta-feira (3) destacando as notícias que envolvem Nikolas Ferreira no caso. “Que todos os envolvidos no Bolsomaster, no Legislativo, no Executivo ou no Judiciário, sejam investigados com rigor e responsabilizados”, escreveu.

Magno contra o fim da 6×1

O movimento Vida Além do Trabalho (VAT) denunciou nas redes sociais uma articulação de parlamentares do Partido Liberal para esvaziar o plenário do Senado nessa quarta-feira (2), impedindo a votação definitiva da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala de trabalho 6×1. Magno Malta aparece na publicação como uma das lideranças do PL. No mesmo dia, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) havia aprovado a redação do texto, último passo antes da apreciação definitiva da matéria. Fabiano Contarato e Magno são membros titulares da CCJ, mas apenas o primeiro se posicionou claramente à favor do fim da 6×1.

Prisão mantida

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, nessa quarta-feira (2), um novo pedido de habeas corpus do prefeito e do ex-prefeito de Pedro Canário (extremo norte), Kleilson Rezende (PSB) e Bruno Araújo (PDT), respectivamente. A Polícia Federal identificou um esquema de corrupção relacionado ao evento “XXXIV Forró da Tábua Lascada”, e os dois foram presos em maio. Araújo ficou oito anos na Prefeitura de Pedro Canário, tendo sido reeleito em 2020 com 81% dos votos – passou recentemente pela gestão estadual e figurava como um dos principais pré-candidatos a deputado estadual do Partido Democrático Trabalhista (PDT), antes da prisão. Nas eleições de 2024, ele apoiou Kleilson Rezende, que foi seu vice, também eleito com 80,74%. 

Movimento em Defesa das UCs

O Movimento em Defesa das Unidades de Conservação divulgou nas redes sociais um “desafio” aos candidatos a governador: se posicionar contra o Programa Estadual de Desenvolvimento das Unidades de Conservação (PEDUC), que prevê a concessão dos Parques Estaduais para a iniciativa privada por até 70 anos. “Não podemos aceitar a privatização de um patrimônio que pertence a toda a sociedade capixaba: os Parques Estaduais Paulo César Vinha, Itaúnas, Pedra Azul, Mata das Flores, Forno Grande e Cachoeira da Fumaça”, diz o texto da postagem.

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