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Casagrande e a ‘oposição’ capixaba ao STF

A reação da classe política às novas acusações contra “Xandão”; o 7 de setembro que virá; Manato com Callegari; e mais

Marcelo Camargo – Agência Brasil / Leonardo Sá

Um dia após o outro

“Nada melhor do que um dia após o outro”. A frase tem sido dita por bolsonaristas do Espírito Santo em meio ao surgimento de novos indícios sobre as relações nada republicanas do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Entretanto, uma das reações que mais chama a atenção partiu de um político que não faz parte desse campo ideológico: o ex-governador Renato Casagrande (PSB), atualmente candidato a senador. Em publicação nas redes sociais, Casagrande afirmou que “nenhuma autoridade está acima da lei” e o Senado Federal “não pode agir por perseguição ou vingança política, mas também não pode abrir mão do seu dever de fiscalizar”. E foi além: disse que, se eleito, vai defender “uma reforma do Judiciário, com medidas como o fim do mandato vitalício e a adoção de mandato com tempo determinado para os ministros do STF”.

Proposta

Com o posicionamento, Renato Casagrande avança no debate sobre a crise do STF com uma proposta concreta de enfrentamento a situações de tráfico de influência e abuso de poder envolvendo autoridades da República. Se a mera limitação dos mandatos de ministros vai resolver alguma coisa, aí é outra conversa. Mas não deixa de ser uma contraposição aos bolsonaristas, que tem se limitado a defender o impeachment de adversários dentro do Supremo, sendo “Xandão” o inimigo número um. Ao decidir se pronunciar, Casagrande também faz um aceno ao eleitorado conservador. Ironicamente, foi Alexandre de Moraes que determinou, em março, o arquivamento do pedido da Polícia Federal (PF) para investigar o ex-governador, no caso envolvendo seus diálogos (também suspeitos) com o desembargador Macário Ramos Júdice Neto.

Orações para Mendonça

O senador Magno Malta (PL) anunciou que assinou nesta quarta-feira (2), junto a outros parlamentares do Congresso, um novo pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes. No dia anterior, Magno pediu orações e um “forte clamor” para André Mendonça, relator do caso do Banco Master no STF e responsável direto pelo levantamento de informações contra Moraes. “O momento exige firmeza, coragem e muita intercessão pela nossa nação!”, comentou. Pelo visto, Mendonça vai precisar: a imprensa nacional publicou novas reportagens apontando que ele também teve reuniões com Daniel Vorcaro.

E a esquerda?

A coluna não identificou declarações públicas sobre as novas revelações envolvendo Alexandre de Moraes por parte das principais lideranças de esquerda do Espírito Santo. A verdade é que, nos últimos anos, os progressistas se tornaram majoritariamente defensores das ações do STF e de Moraes, sobretudo por conta do enfrentamento do ministro ao golpismo bolsonarista. Entretanto, há vozes dentro desse mesmo campo político apontando que o apoio às “instituições” se tornou condescendência com o “sistema”.

O que está em jogo

Conforme noticiado pela imprensa nacional, André Mendonça determinou que a Polícia Federal fizesse um relatório sobre menções a pessoas específicas em um material do caso do Banco Master, e o nome de Alexandre de Moraes surgiu com destaque. O documento veio a público após o relator levantar o sigilo. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também implicado na controvérsia, defendeu a nulidade do relatório, pelo fato de Mendonça ter supostamente excedido seus limites legais. Existe o risco real de que, do ponto de vista jurídico, a ofensiva contra Moraes não dê em nada. Por outro lado, é impossível simplesmente ignorar as informações, que tendem a influenciar a disputa eleitoral a favor dos bolsonaristas – sobretudo para os candidatos a senador que defendem impeachment de integrantes do Supremo. Aliás, é preciso ressaltar que Mendonça, o ministro “terrivelmente evangélico” indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, retirou o sigilo de apenas uma parte do material do Banco Master. O que se sabe sobre o caso “Dark Horse”, por exemplo, só se tornou público por causa de vazamentos.

7 de setembro

As comemorações do Dia da Independência no próximo 7 de setembro, segunda-feira que vem, tendem a ganhar nova dimensão este ano. O clima eleitoral naturalmente contamina as manifestações durante a data, mas a crise do STF tende a potencializar essa situação. Alguns bolsonaristas já começaram a divulgar atos pelo “Fora, Moraes” a serem realizados durante o feriado nacional.

Manato com Callegari

Carlos Manato (Republicanos), que é candidato a deputado federal, declarou apoio a Wellington Callegari (DC) para o Senado. Ele até subiu em trio elétrico com Callegari. Vale destacar que a coligação conservadora da qual Manato faz parte tem outros dois candidatos a senador: Maguinha Malta (PL) e Evair de Melo (Republicanos). Tanto Manato como Callegari são egressos do Partido Liberal, onde tiveram enfrentamentos distintos com Magno Malta.

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