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Câmara de Vila Velha tem projeto para mudar data da eleição à Mesa Diretora

Osvaldo Maturano defende alteração, mas enfrentra resistência da base de Arnaldinho

CMVV

O presidente da Câmara de Vereadores de Vila Velha, Osvaldo Maturano (PRD), protocolou, nessa segunda-feira (11), o Projeto de Resolução 6/2026, que dispõe sobre mudança da data da eleição da Mesa Diretora que acontece na metade da legislatura. Atualmente, o Regime Interno prevê a realização do pleito na primeira sessão ordinária de junho do segundo ano, empossando os integrantes em dezembro. Agora, a proposta é que a eleição seja realizada na primeira sessão de dezembro, com posse no primeiro dia útil de janeiro do terceiro ano do mandato.

A intenção da medida é se adequar à nova jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), determinando que o pleito interno de meio de mandato da Mesa Diretora ocorra somente após as eleições gerais de outubro. O ministro Gilmar Mendes proferiu decisão recente impedindo a realização da eleição na Câmara de Vitória. Diante disso, o vereador Rafael Primo (PT) solicitou à Procuradoria da Casa uma análise sobre a situação do Legislativo de Vila Velha.

Na segunda-feira, antes da sessão, houve uma reunião interna entre os vereadores, na qual Osvaldo Maturano teria manifestado preocupação com a adequação da data da eleição da Mesa Diretora às determinações do STF. Entretanto, segundo informações de bastidores, a alteração gera resistência por parte de parlamentares da base do prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB).

Inclusive, apesar de o projeto de resolução ser, segundo o protocolo ca Casa, de autoria da Mesa Diretora como um todo, apenas Osvaldo Maturano e o primeiro secretário, Léo Pindoba (Podemos), assinaram a proposição. O nome da segunda secretária, Carol Caldeira (DC), aparece no projeto, mas não havia assinatura registrada até o fechamento desta matéria. Os demais membros – Doutor Hércules (PP), vice-presidente, Alex Recepute (PRD), segundo vice-presidente, e Ademir Ferreira Pontini, terceiro secretário – não subscreveram a matéria.

Atualmente, Arnaldinho Borgo defende a candidatura de Joel Rangel (Podemos) como presidente da Câmara. O vereador estava licenciado do mandato desde janeiro do ano passado para chefiar a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Mobilidade, tendo retornado apenas no início deste mês de maio.

O concorrente de Rangel é Osvaldo Maturano, que foi eleito presidente da Câmara de Vila Velha no início da legislatura com o apoio de Arnaldinho – apenas Rafael Primo e Pastor Fabiano (PL) deixaram de votar nele naquele pleito. Este ano, Maturano perdeu crédito com o prefeito.

As disputas sobre a eleição interna fizeram aparecer um racha na bancada do Partido Liberal (PL) durante uma sessão do último dia 22. Devacir Rabello e Patrick da Guarda se colocaram ao lado da base do prefeito Arnaldinho Borgo, enquanto Pastor Fabiano defendeu independência em relação à gestão e fez acusações aos colegas.

Para Arnaldinho, o melhor seria que o pleito da Mesa Diretora fosse realizado o mais rápido possível, tendo em vista que, hoje, conseguiria garantir a escolha por Joel Rangel evitando que a discussão se prolongasse. Se o adiamento se confirmar, o que é o mais provável (mesmo que aconteça pela via judicial), Osvaldo Maturano terá mais tempo para articulações internas.

Em Vitória, ocorreu justamente o contrário. Foi o então prefeito, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que defendeu o adiamento do pleito interno, pois, segundo comentários de bastidores, teria maior ascendência sobre a escolha do presidente após as eleições gerais de outubro, quando terá a chance de conquistar o cargo de governador.

Entretanto, um grupo de 16 vereadores – o “G16” – se colocou contra o adiamento do pleito interno. Na surdina, o presidente da Câmara de Vitória, Anderson Goggi (Republicanos), alinhado a Pazolini, ingressou com reclamação no STF a respeito da data e conseguiu decisão favorável.

A judicialização da questão aprofundou o mal-estar entre a Prefeitura de Vitória e diversos vereadores que antes compunham a base governista, criando dificuldades para a prefeita Cris Samorini (PP), que assumiu o mandato em abril.

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