sábado, maio 16, 2026
26.9 C
Vitória
sábado, maio 16, 2026
sábado, maio 16, 2026

Leia Também:

Falta de quórum na Assembleia impede votação de projeto que permite contratações temporárias

Por falta de quórum no Plenário da Assembleia Legislativa, o Projeto de Lei Complementar (PLC) 17/2015 não foi votado na sessão desta terça-feira (22). A matéria, de autoria do governo do Estado, permite a contratação temporária de servidores. Para que o projeto fosse votado, foi convocada uma sessão extraordinária, que sucedeu a ordinária desta terça-feira, mas não houve quórum, já que apenas 11 deputados, dos 18 que confirmaram presença, votaram. Seriam necessários 16 votantes para consolidar a votação da matéria.

O projeto deve voltar ao Plenário da Assembleia na sessão ordinária desta quarta-feira (23).

O episódio representa mais um desgaste para o líder do governo na Casa, deputado Gildevan Fernandes (PV), que chegou a pedir mais 10 minutos para que outros parlamentares registrassem o voto, mas isso não aconteceu. A votação da matéria era prioritária para o governo Paulo Hartung (PMDB), mas encontrou resistência por parte de um grupo de deputados.

Os deputados passaram duas sessões discutindo a matéria. Na última quarta-feira (16) o relator na Comissão de Cidadania, deputado José Carlos Nunes (PT) havia pedido vistas do projeto. No entanto, na sessão desta terça-feira, foi aprovada nas comissões de Cidadania e Finanças, e novamente pela Comissão de Justiça, por conta de emenda proposta pelo deputado Euclério Sampaio (PDT).

Os deputados Sérgio Majeski (PSDB) e Sandro Locutor (PPS), na sessão de terça-feira, se opuseram à rapidez com que a matéria foi apresentada e estava sendo aprovada nas comissões, sem a devida análise, sem previsão orçamentária e de impacto financeiro. Majeski e Locutor criticaram a rapidez com que os colegas aprovaram matérias oriundas do Executivo.

Majeski lembrou que a matéria só beneficia o governo, que vai poder continuar jogando politicamente com os cargos. Ele apontou que não há nenhuma secretaria a ponto de parar por falta de funcionários (um dos argumentos usados pelo governo para justificar a urgência na aprovação da matéria). Ele acrescentou que há tempo de realizar concursos públicos para suprir esta necessidade. “A Secretaria de Estado de Educação [Sedu] abriu concurso público para 1,2 mil vagas, quando há 12 mil professores em designação temporária”, frisou o tucano, acrescentado que é preciso pensar no serviço público e não votar como o governo quer.

O deputado Sandro Locutor, também contrário à urgência na aprovação da matéria, ressaltou que o projeto é um “cheque em branco” para o governo. Ele pontuou que o PLC prevê a criação de um comitê gestor permanente de contratações temporárias, composto pelos secretários de Estado de Governo, Economia, Gestão e Recursos Humanos, Controle e Transparência e pela Procuradoria-geral do Estado. Não há previsão de inclusão de representantes dos trabalhadores no comitê.

O parlamentar ressaltou que o projeto prevê que a manifestação do comitê é pressuposto indispensável para as contratações temporárias. “Estamos delegando superpoderes a um conselho para realizar contratação temporária em todos os âmbitos”, disse Locutor.

O deputado também apontou que o projeto enviado para a Assembleia não tem previsão de impacto financeiro e orçamentário, justamente no momento em que o governador Paulo Hartung (PMDB) diz que o caixa do Estado está enfraquecido. “Gostaria de ver quantos DTs há no Estado, em que áreas e a qual custo. Entendo que a questão carece de regulamentação, mas esse detalhamento iria robustecer o projeto”. O parlamentar ressaltou que já foi pedido ao Executivo que quando enviar projeto à Assembleia, converse antes com os deputados.

Depois da fala de Locutor, Majeski voltou a apontar para mais falhas do projeto. “O Estado, ao abrir possibilidade para mais contratações temporárias, pode criar um passivo imenso”. O tucano lembrou o caso de funcionários contratados como DTs em diversos estados que entraram na Justiça e conseguiram, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o direito ao recebimento de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Ele ressaltou que a Corte reconheceu que o serviço público deve seguir termos de concurso e que usar a excepcionalidade como regra é uma medida esdrúxula.

Ao fim da sessão, Majeski apontou que o projeto não traz nenhum benefício para a sociedade, somente para o governo. Além disso, contraria o que foi aprovado há três meses no Plano Estadual de Educação, que estabelece que até 2020 o Estado deve ter 90% de professores efetivos para 10% de temporários. “Não tenho feito oposição pela oposição, minha posição está sendo coadunada com a sociedade”, afirmou. O deputado concluiu dizendo que se debruçou sobre o projeto, com a assessoria jurídica do gabinete, e atestou os que existem vários “jabutis” (inserção de norma alheia ao tema principal em um projeto de lei) no meio do projeto.

Ele lamentou que, mais uma vez, o parlamento tenha votado cegamente como governo quer e parafraseou o deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) que, em outra ocasião, disse que a Assembleia do Estado é o cartório mais caro que existe, pois só carimba o que o governo manda.

Mais Lidas