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Gilvan da Federal: Porta-voz do PL no Estado?

O papel de Gilvan no partido bolsonarista; a discussão com Serginho Meneguelli; as articulações do PSD; e mais

Câmara dos Deputados

O deputado federal Gilvan da Federal é o presidente do Partido Liberal (PL) em Vitória, mas não ocupa, oficialmente, nenhum cargo no diretório estadual. Mesmo assim, tem atuado como uma espécie de porta-voz da sigla bolsonarista no Espírito Santo, publicando vídeos todas as semanas nas redes sociais sobre direcionamentos partidários. Nessa quarta-feira (22), por exemplo, fez publicação fechando definitivamente as portas da aliança PL-Republicanos para o deputado estadual Sergio Meneguelli (PSD), pré-candidato a senador. Como único representante do PL capixaba na Câmara dos Deputados, é normal que Gilvan tenha mais espaço e poder. Acontece que o senador Magno Malta, presidente estadual e liderança máxima do Partido Liberal capixaba, não costuma lidar bem com a ascensão de outras figuras políticas no seu território…

Sai daqui, Serginho!

Sobre o vídeo mais recente, Gilvan da Federal, na verdade, rebateu as acusações de Serginho Meneguelli acerca de uma suposta articulação dos bolsonaristas para tirá-lo da disputa para o Senado. Chamando o deputado estadual pelo “carinhoso” apelido de “pintor de meio fio”, Gilvan disse que quem decide ou não se Meneguelli será candidato é o PSD. “O que é certo é que nós, do PL, jamais vamos te apoiar, Sergio Meneguelli, porque nós temos lado!”, disparou. Gilvan lembrou do episódio em que Serginho foi às redes sociais pedir que a população cobrasse da Câmara dos Deputados a manutenção da prisão do ex-deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PL-RJ), condenado por ameaças ao Estado democrático de direito e incitação à violência contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Fiador do apoio a Pazolini

Gilvan da Federal também usou as redes para defender abertamente o apoio do PL à pré-candidatura a governador de Lorenzo Pazolini (Republicanos), que acabou se consolidando, muito provavelmente com sua participação ativa nas articulações.  O próprio Magno Malta vinha mostrando reticência quanto à aliança, pelo menos em público. Inclusive, Gilvan falou em publicações contra o vereador de Vitória Darcio Bracarense, do seu próprio partido, que tem posição crítica em relação a Pazolini. “Por mim, já tinha sido expulso do PL”, vociferou Gilvan contra Darcio.

Vereadores na mira

Darcio não foi o único. Seu colega da Câmara de Vitória e de partido, Armandinho Fontoura, também recebeu um pito em público após fazer discurso parabenizando o governador Ricardo Ferraço (MDB) por conta da atração da empresa GWM para Aracruz (norte do Estado). “O vereador Armandinho foi muito infeliz. Liguei pra ele, cobrei, falei: ‘cara, você é líder do PL, tem que ter lado’”, relatou Gilvan na ocasião, dizendo ainda que, se Fontoura quer homenagear um “adversário”, precisa sair do partido e falar por si mesmo. O deputado federal deu a letra: ou o PL lançaria candidatura própria, ou apoiaria Pazolini. Com Ricardo Ferraço, não tem papo.

Gilvan não está garantido no pleito

Vale destacar que o próprio Gilvan da Federal não está garantido na disputa pela reeleição este ano, por conta da condenação que tem por violência política de gênero praticada contra a deputada estadual Camila Valadão (Psol). O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, lhe deu aval para registrar candidatura nas eleições de 2026, mas isso não significa salvo-conduto contra “eventual impugnação”.

PL e Republicanos é bom para quem?

Após o resultado das eleições de 2024, quando o PL apresentou 50 candidatos a prefeituras e elegeu apenas cinco, a sigla liderada por Magno Malta no Espírito Santo pareceu redesenhar sua estratégia para a construção de alianças partidárias mais abrangentes. Com isso, o apoio a Pazolini, um pré-candidato bem colocado nas pesquisas, surgiu como opção natural. Além do mais, como disse Magno no encontro do PL no último sábado (18), a meta principal dos bolsonaristas este ano é colocar “45 pitbulls com sangue nos olhos no Senado” para lutar pelo impeachment de Alexandre de Moraes e de outros ministros do STF. Já para o Republicanos de Pazolini, a aliança tem benefícios incertos, uma vez que deixa de lado aliados do próprio partido, como o deputado federal Evair de Melo, que também quer se candidatar a senador. Além do mais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, se enfiou em maus lençóis nos últimos tempos.

PSD: livre como um táxi

Com a ida de Pazolini para o colo bolsonarista, a aliança da direita no Espírito Santo se tornou um terreno hostil para o Partido Social Democrático (PSD), que tinha sido o primeiro a declarar apoio ao ex-prefeito de Vitória. Nessa quarta-feira (22), já aconteceu uma reunião entre o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, presidente estadual do PSD, e Ricardo Ferraço, com a sigla exigindo “espaço nas majoritárias”, sem falar em qual delas (poderia ser Sergio Meneguelli no Senado ou a primeira-dama de Colatina, Livia Vasconcelos, para vice). Mas o PSD também terá um papo com outro pré-candidato a governador: o deputado federal Helder Salomão (PT). Com o PT, é improvável que aconteça alguma aliança, mas com Ricardo, rola. O partido liderado no Estado por Renzo Vasconcelos ainda tem a possibilidade de chapa própria, com o ex-governador Paulo Hartung à frente.

OAB faz desagravo contra desembargadora

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo (OAB-ES) realizou, nessa quarta-feira (22), um ato público de desagravo em frente ao Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT-17), em Vitória, por conta da discussão com a desembargadora Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain – que acabou afastada do cargo pela Corregedoria Nacional de Justiça. “O desagravo é a linha intransponível que separa o aceitável do inaceitável. É também um aviso público para toda a Justiça do Trabalho – e uma garantia para a advocacia que atua diariamente aqui – de que a Ordem a representa, está presente e sempre estará presente”, citou, na ocasião, a presidente da OAB-ES, Erica Neves.

Nota triste

A equipe do Século Diário se solidariza com a família e amigos do jornalista e repórter Caíque Verli, 33 anos, da TV Gazeta, encontrado morto dentro do apartamento onde morava, em Vitória. Caíque será sempre lembrado com carinho e admiração pela pessoa que era e pelo profissionalismo no trabalho que desenvolvia em prol do jornalismo capixaba.

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