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Partido da farda desfalcado

O indeferimento de Romualdo Gianordoli; os candidatos fardados em números; as indicações de Fabrício Noronha; e mais

Kamyla Passos/Ales

Romualdo impugnado

O “partido da farda” – como nos referimos anteriormente às candidaturas eleitorais ligadas às forças policiais e militares – teve uma baixa importante no Espírito Santo. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) impugnou o delegado da Polícia Civil Romualdo Gianordoli, candidato a deputado estadual, em julgamento finalizado nessa quarta-feira (30). O caso envolve uma dupla filiação de Romualdo no Republicanos, ocorrida no último dia 2 de abril (pelo qual pretende concorrer), e no Partido Social Democrático (PSD), registrada em 4 de abril. O delegado alega que participou da convenção do Republicanos e nega que tenha autorizado seu registro posterior no segundo partido. Na primeira instância, conseguiu se livrar da punição. Entretanto, o Ministério Público Eleitoral (MPE) recorreu, argumentando que matérias da imprensa na época dos fatos confirmavam a filiação ao PSD – o que, diga-se de passagem, é um fato. No TRE-ES, o relator, desembargador Arthur José Neiva de Almeida, seguiu o mesmo entendimento do juiz da primeira instância, mas o desembargador Namyr Carlos de Souza Filho abriu divergência após pedido de vista, e o posicionamento divergente prevaleceu. 

Republicanos vai recorrer

O Republicanos vai recorrer. Ainda assim, mesmo que tenha sucesso, a mera notícia da impugnação a poucos dias do pleito pode desestimular a votação no delegado. Existe uma questão política de fundo importante, que pode ter relação com a dupla filiação. O PSD se articulou com o Republicanos do candidato a governador Lorenzo Pazolini no período pré-eleitoral, mas acabou optando pela neutralidade no último minuto e nem sequer lançou chapa de candidatos a deputado estadual. Ficando no Republicanos, Romualdo teve a oportunidade de não apenas entrar na disputa estadual por um partido competitivo, como também manter-se no grupo da oposição de extrema direita. Mas estamos apenas especulando, tendo em vista que esse caso deixou algumas pontas soltas…

Governistas comemoram

Quem deve estar comemorando a notícia da impugnação de Romualdo é o grupo ligado ao Governo do Estado. Em dezembro passado, o delegado, então no comando da Operação Baest, foi exonerado do cargo de subsecretário de Inteligência da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp). Inconformado, foi às redes sociais acusar a cúpula da Sesp e o Governo do Estado de tentar abafar as investigações, após a identificação de figuras de prestígio. Gianordoli acabou virando alvo de investigação na Ouvidoria da Polícia Civil do Estado (PCES), acusado de reter consigo informações sigilosas.

Segunda baixa

Pode-se dizer que Romualdo é a segunda baixa importante no “partido da farda”. Antes dele, o deputado federal Gilvan da Federal (PL) – que é policial federal, como explicitado em seu “nome de guerra” – também teve candidatura à reeleição indeferida por conta de condenação por violência política de gênero. Além de Gilvan, dentre os atuais representantes capixabas na Câmara dos Deputados, Da Vitória (PP) fez carreira como policial militar. Na Assembleia Legislativa do Estado (Ales), cumprem mandatos atualmente Capitão Assumção (PL, Polícia Militar), Coronel Weliton (DC, Forças Armadas) e Danilo Bahiense (PL, Polícia Civil). 

Partido da farda em números

No Espírito Santo, segundo informações do portal de dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 33 candidatos registrados (5,6% do total de 585) declararam ocupações relacionadas às forças de segurança, sendo 25 policiais militares, cinco bombeiros militares, dois policiais civis e um militar reformado. Muitos utilizam diferentes referências a patentes (major, cabo, sargento, coronel, etc) e outras identificações no nome de urna: 13 para deputado federal e 21 para estadual, sendo 29 homens e cinco mulheres. A maioria está filiado a partidos de direita ou centro-direita. Entre as candidaturas estão ex-membros da cúpula estadual de Segurança e Justiça, como o Coronel Douglas Caus (Podemos), candidato a deputado estadual, que já se “estranhou” com a atual “bancada da farda” na Ales. 

Os candidatos de Fabrício Noronha

O ex-secretário estadual Fabrício Noronha fez publicação nas redes sociais nessa quarta-feira para indicar candidatos a serem considerados nas eleições deste ano. Para deputado estadual, indicou os nomes de Karla Coser (PT), Jacqueline Moraes (PSB) – “duas mulheres de fibra” -, Jocelino Tupinikim (PSB) – “único candidato indígena” – e Raul Mesquita (PCdoB) – “cria da Barra do Jucu”. Para deputado federal, apontou Vitor de Angelo (PSB) e Nésio Fernandes (PCdoB), ex-colegas no Governo – segundo ele, dois nomes que têm “surpreendido muito com campanhas bonitas, engajadas e com propostas – o que é raro, viu?!”. Para o Senado Federal, recomendou Renato Casagrande (PSB) e Fabiano Contarato (PT), porque “não dá para vacilar, não tem brecha”. Para governador, manifestou apoio a Ricardo Ferraço (MDB), o “mais preparado” e com “programa de governo mais robusto para a Cultura”. Por último, para presidente, “surpreendendo um total de zero pessoas”, declarou voto em Lula (PT).

Participação discreta

Quando Fabrício deixou a gestão estadual, em julho passado, surgiu a expectativa de que ele fosse desempenhar um papel mais ativo nas campanhas de Ricardo Ferraço e de Renato Casagrande. Entretanto, apesar da declaração de votos às vésperas da votação, Noronha tem tido postura discreta no processo eleitoral, basicamente divulgando ações de alguns candidatos apoiados por ele nas eleições proporcionais, como Vitor de Angelo.

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