Transferência de Cabo Vidal para Cachoeiro foi revertida em apenas uma semana; PM não explica decisões

O policial militar Vinicius Vidal, mais conhecido como Cabo Vidal, anunciou nas redes sociais, nesse domingo (24), o seu retorno para o 16º Batalhão da Polícia Militar, em Marataízes. Na semanada passada, ele havia sido transferido para o 9º Batalhão, em Cachoeiro de Itapemirim – ambos os municípios ficam no sul do Estado.
“Em tudo entrego os meus planos ao meu Senhor Jesus. E foi da vontade dele que eu retornasse para a região do litoral sul. Sou grato pelo carinho do povo cachoeirense e aos irmãos de farda que me receberam de braços abertos. É motivador saber que o nosso trabalho é reconhecido e respeitado por toda a população capixaba. Volto ainda mais firme, com o mesmo propósito: servir, proteger e trabalhar com dedicação todos os dias”, escreveu, sem dar detalhes sobre os motivos da reversão da transferência em tão pouco tempo.
Questionada na semana passada sobre a transferência de Cabo Vidal, a Polícia Militar do Estado se limitou a dizer, em nota, que “a Corporação passou, recentemente, por uma reorganização de suas unidades, o que gerou a necessidade de transferências de militares, prática comum dentro da gestão organizacional”. Século Diário procurou novamente a PMES solicitando esclarecimentos sobre o cancelamento da transferência, mas não obteve o retorno até o fechamento desta matéria.
Cabo Vidal já publicou diversos vídeos em que aparece abordando essa população em Marataízes, desmontando barracas e retirando pertences das calçadas. Ele chegou a responder a uma sindicância por cauda de uma suposta agressão, em 2024, mas, segundo a Polícia Militar do Estado (PMES), “os fatos foram apurados e não houve apontamento de culpabilidade por parte do militar”. O policial costuma fazer ainda vídeos sobre abordagens a suspeitos de crimes, quase sempre sem usar a farda.
“Certamente é uma pessoa sem respeito à vida dos outros e que não tem conhecimento nenhum de políticas públicas. A atitude dele é lamentável, agride as pessoas e retira seus pertences do local em que estão. Essas pessoas não estão na rua porque escolheram, cada uma delas tem uma história e carrega consigo muita coisa”, criticou Siqueli Pimentel da Silva, coordenadora da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de Vitória. A Prefeitura de Marataízes também afirmou que reprovava a atuação do policial.
O Espírito Santo tem registrado diversos casos graves de agressão a pessoas em situação de rua. Um dos casos mais recentes foi um ataque a tiros em Vila Velha, no último dia 8, que resultou na morte do artista Emmanuel 7Linhas e da catadora Kézia Kelly Aristides Miranda.
A Polícia Civil também prendeu, no início deste mês, um homem que classificou como “exterminador de pessoas em situação de rua”, acusado do assassinato de um homem na Serra, Vanilson Ferreira. No final do mês passado, foram presos também funcionários de uma empresa particular de segurança pública acusados de sequestrar, torturar e matar uma pessoa em situação de rua que estava na Praia do Suá, em Vitória.
Além desses crimes, no último dia 22 de abril, a polícia prendeu em flagrante um indivíduo de 30 anos, suspeito de atear fogo no corpo de um homem em situação de rua, de 33 anos, em Nova Almeida, na Serra.
O Anuário Estadual da Segurança Pública de 2025 destacou o elevado número de pessoas em situação de rua vítimas de homicídio no Estado, com 21 casos registrados. Ainda não há dados atualizados a respeito dos crimes contra essa população vulnerabilizada.

