Propostas dos candidatos a governador para segurança; eleições das Mesas Diretoras das Câmaras; e mais

Uma pesquisa do Datafolha do final de 2025 identificou que a população brasileira passou a apontar a segurança pública como um dos principais problemas do país, atrás apenas da saúde. Não por acaso, o processo eleitoral está recheado de candidaturas ligadas às forças de segurança, muitas delas com discurso oportunista. No Espírito Santo, a gestão estadual tem comemorado quedas “históricas” no número de homicídios. Por outro lado, o Estado segue com violência acima da média nacional, a despeito do alto volume de recursos investidos nos últimos anos. Em termos de planos de governo visando ao próximo ciclo, os três candidatos a governador da direita (Ricardo Ferraço, Lorenzo Pazolini e Breno Barcelos) defendem a ampliação do sistema prisional como uma das medidas principais. Apenas as duas candidaturas de esquerda (Helder Salomão e Rafael Demuner) focam em controle social da força, incluindo medidas como a obrigatoriedade de câmeras corporais nos policiais.
“Próxima década”
“Na última década, reduzimos a violência. Na próxima década, vamos enfraquecer o poder das organizações criminosas”. Assim diz o plano do governador Ricardo Ferraço (MDB), enaltecendo as ações da gestão atual. Para um eventual novo ciclo, apresenta como “compromissos estratégicos”: modernizar a segurança; enfrentar organizações criminosas e crimes cibernéticos; ampliar e fortalecer o sistema prisional; promover integração federativa; reforçar o controle de divisas; ampliar capacidade de resposta e valorizar agentes de segurança; fortalecer a prevenção; e ampliar os Totens de Segurança. Entre os “projetos transformadores” previstos estão: implantar o Centro Integrado de Defesa Social; criar a Subsecretaria de Estado de Combate ao Crime Organizado; construir quatro novas unidades prisionais; implantar o Centro Integrado de Polícia Científica; ampliar as ações contra furto e roubo de celulares (Projeto Recupera II); criar a Divisão Especializada em Crimes Cibernéticos e a Superintendência de Proteção à Família.
“Segurança preditiva”
“Nosso propósito é trabalhar com uma agenda moderna de Segurança Pública, que avance da repressão qualificada para uma segurança preditiva e integrada”, diz o plano de governo de Lorenzo Pazolini (Republicanos). O documento defende que, a despeito da redução absoluta do número de homicídios, o Espírito Santo permanece acima da média nacional em rankings sobre violência. As principais diretrizes estratégicas incluem: Plano de Modernização e Reengenharia Prisional; assistência às vítimas de violência; reestruturação administrativa e valorização policial; estruturação do combate ao crime organizado e corrupção; implantação do Sistema Estadual de Videomonitoramento; modernização e fortalecimento da investigação criminal; articulação com o Judiciário e celeridade processual; gestão de ocorrências baseada em evidências; segurança rural; criação de força-tarefa para crimes eletrônicos; enfrentamento ao feminicídio.
“Guerra efetiva no Brasil”
“É diagnóstico indiscutível na Missão a existência de uma guerra efetiva no Brasil”, diz o plano de governo de Breno Barcelos (Missão). O candidato defende que a redução relativa da violência no Estado se deve a fatores alheios à gestão estadual, como o envelhecimento populacional (jovens estão mais envolvidos na criminalidade) e a consolidação do domínio territorial das facções criminosas, tornando os conflitos menos frequentes e reduzindo “artificialmente” as mortes. Entre as propostas estão: reocupação territorial; asfixia financeira do crime organizado; assistência jurídica gratuita aos policiais envolvidos em “operações”; construção de um presídio para membros de facções; implantação do modelo Smart Sampa (programa paulista) de videomonitoramento e fortalecimento dos totens; atuação junto à bancada capixaba para reformar leis penais; valorização da carreira militar e fortalecimento do efetivo; cooperação com outros estados.
“Preservação da vida”
“Medir o resultado da política pela morte que se evita, e não só pela prisão que se contabiliza.” Esse é um dos lemas do plano de governo de Helder Salomão (PT) para segurança. Sendo assim, suas propostas abrangem: políticas transversais de prevenção social; criação de delegacias especializadas para minorias; valorização da inteligência policial e enfrentamento às bases financeiras das facções; controle social da força, incluindo câmeras corporais em todos os agentes; sistema prisional e socioeducativo voltado à reinserção; equilíbrio territorial das ações em todo o Estado; gestão com metas públicas e avaliação de resultados, “tendo a preservação da vida como prioridade”; implementação do Pacto Estadual pelo Enfrentamento às Violências contra a Mulher e Prevenção ao Feminicídio; e fortalecimento do Sistema Estadual de Direitos Humanos.
“Acabar com a lógica militarista”
Na avaliação do plano de governo de Rafael Demuner (UP), “para combater de fato a criminalidade, é necessário acabar com a lógica militarista imediata como solução de problemas estruturais”. Entre as propostas estão iniciativas voltadas à memória da ditadura militar (1964-1985, incluindo reformulação da formação e do currículo das academias militares e das forças de segurança. Em termos de ações mais voltadas para segurança em si, as medidas defendidas incluem: obrigatoriedade das câmeras policiais corporais; atendimento psicológico para os agentes; participação popular na política estadual de segurança; resgate do policiamento comunitário; inteligência para combate ao crime organizado; melhorias nas estruturas dos presídios e reforma do Sistema Penitenciário.
Eleição da Mesa Diretora outra vez
O conflito envolvendo a data da eleição da Mesa Diretora voltou à tona na Câmara de Vereadores de Vitória. Dalto Neves (SDD), que deve se candidatar a presidente e tem levado o assunto quase como uma obsessão, voltou a cobrar do presidente, Anderson Goggi (Republicanos), que paute um projeto de resolução do “G-16” e defina uma data. Pedro Trés (PSB) também cobrou. Goggi, por sua vez, argumentou que o processo no Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não transitou em julgado, e por isso ainda não tem conclusão – apesar de Dalto ter dito que o grupo do qual faz parte desistiu de recorrer. O presidente disse ainda que o tema também foi definido em uma reunião do Colégio de Líderes. Neves não ficou satisfeito: disse querer a definição por escrito.
Vila Velha, Serra e Cariacica
Dentre os demais municípios da Grande Vitória, na Câmara de Vila Velha, ao contrário, já houve a escolha de um presidente para o novo ciclo, Joel Rangel (Podemos), aliado do prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB) – a contestação de Rafael Primo (PT) no STF, baseado no caso de Vitória, segue pendente. Na Serra, a eleição de renovação da Mesa só acontecerá após 19 de novembro, e a de Cariacica está prevista para 15 de dezembro.

